As empresas independentes de
maquininhas de cartão, como Stone, Mercado Pago, PagSeguro e a carteira digital
PicPay, estão enfrentando investigações e possíveis punições da Febraban
(Federação Brasileira de Bancos). Nesta quarta-feira (6), a Febraban entrou com
duas representações no Banco Central (BC), solicitando a investigação e punição
das empresas devido a denúncias que sugerem práticas eventuais de operações
irregulares e fictícias.
As acusações indicam que as
empresas estariam cobrando juros dos consumidores de maneira dissimulada, por
meio da criação de um modelo de “PSJ (Parcelado Sem Juros) pirata”. Esse
esquema consiste na cobrança de juros remuneratórios dos consumidores, mas registrando
na fatura do cartão de crédito como modalidade de parcelado sem juros.
Se confirmadas, essas práticas
podem ser consideradas irregulares e fraudulentas, comprometendo a lisura das
operações e a legalidade das cobranças, além de eventualmente serem vedadas ou
não autorizadas pelo BC.
Na primeira representação, a
Febraban alega que PagSeguro, Stone e Mercado Pago desenvolveram uma oferta de
crédito que possibilita a cobrança do chamado “parcelado comprador”, incluindo
nos preços das compras a prazo um adicional ao preço do produto. Isso
representa uma forma artificial de repassar ao consumidor os custos associados
à antecipação de recebíveis cobrados pelas maquininhas dos lojistas.
Na segunda representação, a
Febraban pede ao BC a investigação das carteiras digitais Mercado Pago e PicPay,
que estariam concedendo empréstimos aos consumidores com cobrança de juros
dissimulada, registrando a operação na modalidade “parcelado sem juros”.
Ambas as práticas, se
confirmadas, são consideradas não transparentes com os consumidores, violam
normas regulatórias estabelecidas pelo Banco Central e são vistas como condutas
desleais com as instituições financeiras bancárias, podendo conduzir os
clientes ao superendividamento.
A Febraban solicita ao BC a
interrupção imediata dessas práticas enquanto investiga as denúncias, visando
proteger consumidores, lojistas e o princípio da livre concorrência.
Outro lado
Abranet
Foi divulgado por veículos de
mídia a proposição, feita pela Febraban, de representação junto ao Banco
Central contra associados da Abranet, por essas empresas independentes estarem
supostamente embutindo taxas nas vendas parceladas. Essas associadas à Abranet
não foram notificadas de tal representação pelo Banco Central, mas a Abranet
desde já vem rebater os pontos noticiados, em mais uma tentativa dos bancões de
atingir as empresas independentes.
De fato, esses bancões têm
sido sistematicamente derrotados em sua tentativa de restringir
significativamente a modalidade “Parcelado Sem Juros” (PSJ). Primeiro, os
bancões foram derrotados no Congresso, que rechaçou de forma clara o ataque ao
PSJ no âmbito do Projeto Desenrola. Depois, nas discussões para proposta de
consenso dos setores com vistas a posterior apresentação ao CMN (Conselho
Monetário Nacional), intermediadas pelo Banco Central (conforme previsto na lei
aprovada pelo Congresso), a Febraban não conseguiu demonstrar qualquer relação
entre o PSJ e os altos juros cobrados pelos bancões (ao contrário, os dados
mostram que o PSJ não é causa dos altos juros de cartão de crédito, que chegam
a 445% ao ano).
Nessas discussões, a Febraban
é a única entidade a tentar impor a redução drástica do número de parcelas do
PSJ, contra as empresas independentes de maquininhas e o setor varejista, que
querem manter essa importante forma de acesso dos brasileiros ao consumo. Há
outras propostas para a redução dos juros (como a melhoria dos critérios de
emissão de cartões pelos próprios bancos) que poderiam compor o necessário
consenso, se a Febraban abandonasse a obsessiva meta de destruir o PSJ.
O “Parcelado Comprador”,
referido na representação da Febraban contra associados da Abranet (segundo as
notícias divulgadas) é uma ferramenta tecnológica disponibilizada aos
estabelecimentos comerciais que permite ao vendedor calcular os valores a
receber por suas vendas, de acordo com os diferentes meios de pagamento
utilizados, os prazos de pagamento e os custos transacionais envolvidos.
Esta solução, já amplamente
utilizada pelo mercado, foi desenvolvida no contexto da Lei 13.455/17, que
prevê a possibilidade de o vendedor diferenciar o preço de bens e serviços em
decorrência do meio de pagamento utilizado pelo comprador e/ou em decorrência
do prazo de pagamento da transação. Ou seja, trata-se do cálculo do preço do
produto, que poderá variar de acordo com o instrumento e prazo de pagamento.
Em suma: não conseguindo impor
sua agenda de atingir mortalmente o PSJ, a Febraban agora ataca as empresas
independentes por meio da representação ao Banco Central. E tudo isso para
tentar voltar ao antigo status de dominantes absolutos do mercado, como ocorria
antes de as empresas independentes trazerem COMPETIÇÃO ao mercado, favorecendo
milhões de brasileiros.
A Abranet está certa de que o
Banco Central do Brasil reconhecerá a legalidade dos procedimentos de suas
empresas associadas, dentro do propósito que sempre teve o regulador de
fomentar a competição no mercado.
Stone
A Stone sempre se pautou pelo
cumprimento rigoroso da legislação e regulações vigentes e desconhece qualquer
denúncia junto ao regulador. A companhia reitera o seu compromisso com o
estímulo à competição de mercado e com o empreendedor brasileiro, contribuindo
para o desenvolvimento de seus negócios sempre alinhados aos princípios éticos
que regem a corporação.

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