Essa foi a última tentativa do
governo de Gabriel Boric de tentar mudar a Carta Magna em vigor; novo revés
deixa o presidente fragilizado
Pela segunda vez, os chilenos
votaram contra o novo texto da Constituição. Neste domingo, 17, o não venceu
por 55% dos votos contra 45% do sim. Apesar do resultado ir
contra as manifestações de 2019 e a votação de 2020, que previam uma nova Carta
Magna para substituir a que está em vigor desde o regime do Augusto Pinochet
(1973-1990), o resultado já era esperado, com as pesquisas indicando qual seria
o resultado. O novo documento, redigido pela direita, era mais conservador e
polêmico, principalmente do que diz respeito a questões do aborto e
migração, ordenando a expulsão “no menor tempo possível” dos estrangeiros
que entram no Chile “de forma clandestina ou por passagens não
autorizadas”, um aceno da direita aos setores que exigem linha dura ante o
aumento da insegurança — e que é por eles associado à migração. Embora o texto
reconhecesse pela primeira vez os povos indígenas, não estabelecia normas
claras que garantiriam sua autonomia, como propunha a Constituição rejeitada em
2022, que declarava o Chile como um Estado “plurinacional”. Historicamente
discriminados, os indígenas representam 12% da população do país.
Diante deste novo revés, o
presidente do Chile, Gabriel Boric, não pretende tentar uma terceira proposta
de reformulação da Constituição. Seu plano agora é emendar o texto atual para
incluir proposta populares, como a expansão dos direitos reprodutivos e
ambientais. Essa nova rejeição, apesar de não ter impacto imediado sobre o
líder chileno, deixará consequências, como aponta os especialistas ouvidos pelo
Portal da Jovem Pan. Vitelio Brustolin, professor de relações
internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, lembra que após a
primeira rejeição, em setembro de 2022, Boric ficou fragilizado. Essa nova
“afeta todo o país pelo impasse em resolver essa questão, ao mesmo tempo em que
deixa ainda mais evidentes as dificuldades de governança no Chile”. Christopher
Mendonça, cientista politico e professor de relações internacional do Ibmec
Belo Horizonte enfatiza que o chileno não será afetado do ponto de
vista formal e poderá terminar seu mandato sem nenhum problema. Porém, ele
ficará abalado do ponto de vista político, uma vez que sua eleição foi baseada
na reformulação da proposta. “Isso fragiliza ele como um governante, sobretudo
como mediador de interesses dentro do próprio Chile.”
Por Sarah Américo

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