Segundo exército israelense,
grupo extremista conta com um centro de comando embaixo do hospital e usaria
túneis para realizar operações militares e manter reféns; quase 2.300 pessoas
estão refugiadas no local
O Exército israelense entrou
nesta quarta-feira, 15, no hospital de Al Shifa e anunciou uma operação
seletiva contra um posto de comando, que afirma que os combatentes do Hamas escondem no
complexo médico. Dezenas de soldados israelenses, alguns deles encapuzados e
atirando para o alto, ordenam a rendição dos moradores de Gaza que
buscaram refúgio. Eles passaram de quarto em quarto, em busca de combatentes do
Hamas. Segundo o exército israelense, diversos combatentes do grupo extremista
foram mortos. A justificativa da ação seria que o Hamas possui um centro de
comando embaixo do hospital e usaria túneis para realizar operações militares e
manter reféns.
Utilizando alto-falantes, e em
árabe, os soldados israelenses ordenam aos pacientes: “Todos os homens com mais
de 16 anos, mãos para cima e saiam dos prédios em direção ao pátio interno para
a rendição”. Após a ordem, centenas de jovens aparecem de diversas áreas do
grande complexo, que fica na Cidade de Gaza, no norte da Faixa, onde se concentram
os combates entre os tanques israelenses e os combatentes do movimento
islamista Hamas, que governa o território palestino.
Na batalha, o Hamas tem o apoio
da Jihad Islâmica, outro movimento palestino. As duas organizações são
consideradas “terroristas” por Israel, Estados Unidos e UE. A Casa Branca
destacou que fontes do serviço de inteligência americano corroboraram a
afirmação israelense de que Hamas e Jihad Islâmica têm um centro de comando
debaixo do hospital Al Shifa. Israel acusa há vários anos os dois movimentos de
utilizarem os civis palestinos como “escudos humanos”. O Hamas nega as
acusações e já pediu visitas de comissões de investigação internacionais. O
governo do movimento islamista palestino acusa o Exército israelense de cometer
“um crime de guerra e um crime contra a humanidade”.
Segundo a ONU, quase 2.300
pessoas, incluindo pacientes, profissionais da saúde e moradores deslocados
pelo conflito, estão no hospital Al Shifa, que foi cercado há vários dias pelas
tropas israelenses. Martin Griffiths, diretor do Escritório das Nações
Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), afirmou que está
“horrorizado” com as informações sobre operações militares no hospital Al
Shifa. “A proteção dos recém-nascidos, pacientes, profissionais da saúde e
de todos os civis deve ter precedência sobre todas as outras questões”,
escreveu na rede social X. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou em
um comunicado que “está extremamente preocupado com o impacto para os pacientes
e feridos, profissionais da saúde e civis”. No dia 7 de outubro, o
Hamas executou um ataque surpresa no sul de Israel que matou 1.200 pessoas, a
maioria civis, segundo as autoridades israelenses. Desde então, o Exército
israelense bombardeia a Faixa de Gaza diariamente. Mais de 11.000 palestinos
morreram nos ataques, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.
Médicos e ONGs internacionais
afirmam que qualquer pessoa que tenta sair do hospital corre o risco de ser
atingido por tiros das forças israelenses. Na manhã desta quarta-feira,
filas de palestinos, com as mãos para o alto, seguiram para o pátio do
hospital: eles saíram da área de atendimento para queimaduras, da maternidade –
que foi alvo recente de tiros -, da unidade de cirurgias e até do serviço de
diálise, segundo o jornalista que está refugiado há vários dias em Al
Shifa. Dentro do hospital, os soldados atiram para o alto de quarto em
quarto, em busca de combatentes do Hamas. Mulheres e crianças assustadas e
chorando foram revistadas e outras tiveram que passar por um posto equipado com
uma câmera de reconhecimento, segundo o jornalista. Tanques israelenses
entraram no complexo médico e foram estacionados diante de várias unidades,
incluindo o pronto-socorro. Nos últimos dias, os geradores pararam de funcionar
por falta de combustível, consequência do cerco imposto por Israel desde 9 de
outubro.
Ao menos nove bebês prematuros
morreram depois que foram retirados de suas incubadoras. Vinte e sete pacientes
que estavam no CTI faleceram porque não tinham um respirador operacional,
segundo o Ministério da Saúde do Hamas. Uma vala comum foi aberta no
complexo, onde já foram enterrados 179 corpos, informou o diretor do hospital,
o médico Mohammed Abu Salmiya. O Exército israelense afirma que enviou equipes
médicas e soldados que falam árabe para a operação em uma “área específica” de
Al Shifa. Também indicou que entregou “incubadoras, comida para bebês e
material médico” durante a operação.
Por Jovem Pan
*Com informações da agência AFP

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