Autoridades, técnicos,
servidores e pessoas em situação de rua estiveram presente.
José Rui de Oliveira Júnior está
em situação de rua. O verbo estar no presente foi algo que ele quis enfatizar
durante a abertura do 2º Fórum Intersetorial de Pessoa em Situação de Rua de
Rio das Ostras, que aconteceu na tarde desta quarta, dia 16, no Teatro
Municipal Joel Barcellos. Hoje, abrigado na Casa do Sorriso, Rui é
representante eleito para ampliar a voz deste público e propor
políticas públicas que diminuam os impactos sociais daqueles que vivem na rua.
“Eu não sou da rua. Eu estou. Não
é algo que escolhi para mim, mas a vida me trouxe para esta situação. O que
mais me machuca é a aporofobia, o preconceito contra as pessoas pobres. Eu
sinto isso quando participo de entrevistas de emprego. Quando digo que estou na
rua, o tratamento muda e até agora não obtive sucesso. Portanto, quero ser a
voz de muitos que precisam ser ouvidos. Rio das Ostras me acolheu e, hoje,
posso desfrutar de uma cama confortável, refeições e higiene diária”,
compartilhou José Rui.
O Fórum teve o objetivo de
mobilizar a sociedade civil e representantes de secretarias municipais para
refletir sobre as demandas impostas pela população de rua. “Eu não sinto na
pele as necessidades das pessoas em situação de rua, mas conheço as demandas e
precisamos avançar nas políticas públicas para mitigar os impactos que vocês
vivem. Conhecemos bem as legislação e nos debruçamos sobre ela para traçar
novas possibilidades”, conta Giselly Leão, coordenadora
técnica da Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência
Social.
Durante o Fórum, representantes
da população em situação de rua e da sociedade civil puderam levantar demandas
e tirar dúvidas sobre os temas expostos. Para a secretária de
Assistência Social, Eliara Fialho, Rio das Ostras está na vanguarda
deste tema.
“Estamos enfrentando uma crise
humanitária. Nos Estados Unidos, a quantidade de vagas disponíveis nos abrigos
para acolher as pessoas em situação de rua é insuficiente. Precisamos
compreender a história individual de cada um sem preconceitos. Nem todos optaram
por viver nas ruas, e, por isso, não temos o direito de ignorar suas situações.
Nossa responsabilidade como política pública de assistência social é contribuir
para superar essas adversidades”, afirmou a secretária
O evento também contou com a
presença da defensora pública do Estado do Rio de Janeiro,
Maísa Sampaio, que discorreu sobre o acesso aos direitos das pessoas em
situação de rua. Além disso, a assistente social e subsecretária de Assistência
Social, Rosimara Valadares, ministrou uma palestra abordando a Estruturação da
Oferta de Serviço à População em Situação de Rua no município.
O Dia Nacional de Luta da
População em Situação de Rua é em 19 de agosto, sábado. A data existe devido a
um acontecimento em 2004 conhecido como “Massacre da Sé”, no qual sete pessoas
foram assassinadas e oito ficaram feridas enquanto dormiam na Praça da Sé, em
São Paulo. Esse episódio desencadeou o início das mobilizações de grupos da
população de rua, em uma contínua luta pela garantia de direitos.
Segundo reportagem publicada
pelo G1, em abril de 2023, o levantamento realizado pelo Observatório
Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua
(OBPopRua/POLOS-UFMG), com base em dados disponibilizados pelo Ministério do
Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (mês de
referência: fevereiro/2023) aponta que o Brasil tem 206.044 pessoas em situação
de rua registradas no CadÚnico.
Em Rio das Ostras, quase 500
pessoas em situação de rua estão cadastrados pela Secretaria de Assitência
Social, por meio do Serviço Especializado de Abordagem Social.

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