De acordo com os advogados do
tenente-coronel, as transações condizem com as reservas financeiras e o
patrimônio familiar dele
A defesa de Mauro Cid,
ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta segunda-feira (31)
que são regulares as movimentações
de R$ 3,2 milhões apontadas pelo relatório do Coaf (Conselho
de Controle de Atividades Financeiras) que foi apresentado à CPMI do 8 de
Janeiro.
No documento do Coaf, constam
movimentações que somaram R$ 3.252.616, feitas por Cid, de 26 de julho de 2022
a 25 de janeiro de 2023. As movimentações foram registradas em uma agência
do Banco do Brasil em Goiânia.
De acordo com os advogados do
tenente-coronel, as transações condizem com as reservas financeiras e o
patrimônio familiar dele. Em nota, a defesa de Cid alega que as movimentações
são referentes a resgates de investimentos; quitação de contas familiares;
aquisição de imóvel (recentemente adquirido na planta); empréstimo familiar; e
transferência de uma conta de Cid no Brasil para outra — de mesma titularidade
— nos Estados Unidos. O documento destaca que todas as transações foram
declaradas.
A defesa de Cid informou ainda
que requereu na semana passada acesso formal aos relatórios do Coaf.
"Assim que tiver acesso às cópias, [a defesa] apresentará uma petição para
a Presidência da Comissão demonstrando a absoluta normalidade de todas as
transações realizadas", diz a nota.
Cid está preso desde 3 de maio.
Ele é investigado por participação em um esquema de fraude em cartões de
vacinação e em uma tentativa de golpe de Estado. O tenente-coronel também é
investigado no caso das joias supostamente dadas pela Arábia Saudita a Jair e
Michelle Bolsonaro e no caso dos atos extremistas de 8 de janeiro. À Polícia
Federal, ele já prestou seis depoimentos, mas foi em 30 de junho que ele falou
pela primeira vez sobre as invasões dos prédios dos Três Poderes, em Brasília,
em uma oitiva de quase quatro horas.
O Coaf tem como atribuição legal
receber, examinar e identificar as ocorrências de atividades ilícitas previstas
na lei 9.613/1998, que define as regras a respeito da prevenção aos crimes de
lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
Leia abaixo a íntegra da nota
emitida pela defesa do tenente-coronel Mauro Cid
"NOTA – TEN-CEL. MAURO
CID – COAF
É importante contextualizar que a quebra do sigilo financeiro do Tenente
Coronel Mauro Cid já foi objeto de apuração por parte da Polícia Federal
durante o ano de 2021. Pela absoluta normalidade das transações, a autoridade
policial não encontrou quaisquer indícios de ilegalidade e não procedeu com
qualquer investigação nesse sentido.
Todas as movimentações
financeiras são regulares e encontram amparo nas reservas financeiras e no
patrimônio familiar construído ao longo de mais de 25 anos. Patrimônio este que
inclui imóveis adquiridos por meio de financiamentos junto à POUPEX e outras
instituições de crédito; e outros bens advindos da herança de sua esposa.
No caso em específico,
principalmente em razão do que vem circulando na imprensa, cumpre explicar que
as movimentações financeiras dizem respeito: a) a resgates de investimentos,
devidamente declarados, para a quitação de contas familiares; b) a resgastes de
investimentos, devidamente declarados, para a aquisição de um imóvel
recentemente adquirido na planta; c) a um empréstimo familiar, devidamente
declarado, com os mesmos objetivos anteriores; e d) a
transferência de patrimônio, devidamente declarada, de sua conta no Brasil para
conta de mesma titularidade nos Estados Unidos.
A Defesa Técnica requereu na
semana passada acesso formal aos relatórios do COAF que foram apresentados à
CPMI e, assim que tiver acesso às cópias, apresentará uma petição para a
Presidência da Comissão demonstrando a absoluta normalidade de todas as
transações realizadas."
Bruna Lima e Carlos Eduardo Bafutto, do R7, em Brasília

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