Kiev carece de defesas antiaéreas
para proteger suas infraestruturas de cereais dos ataques russos, que
bloquearam “quase todos” os portos ucranianos, disse uma porta-voz do exército
ucraniano à agência de notícias AFP.
Moscou intensificou os ataques no
principal porto de Odessa e outras cidades do sul da Ucrânia desde que
abandonou o acordo que permitia a exportação de cereais ucranianos através do Mar
Negro, o qual havia permitido a saída de 33 milhões de toneladas de grãos em um
ano.
“Precisamos de defesa antimísseis
e aérea. Reforçada, poderosa, moderna e capaz de contra-atacar os tipos de
mísseis que o inimigo usa contra nós”, disse Nataliya Gumenyuk, porta-voz do
comando Sul do exército ucraniano, em entrevista na quarta-feira.
Segundo ela, as tropas ucranianas
precisam principalmente de aviões F-16 dos EUA, capazes de atacar os sistemas
de armamento e os navios russos usados para atacar o sul da Ucrânia.
Embora a Ucrânia tenha sistemas
de defesa ocidentais, incluindo o muito sofisticado Patriot, a Rússia “está
constantemente melhorando suas táticas e não vai parar”, explicou Gumenyuk.
Segundo ela, Moscou dispara
simultaneamente mísseis de cruzeiro, mísseis supersônicos e antinavios quando
“os meios de defesa estão dispersos” e todos “não são capazes de contra-atacar
esta ameaça”.
Moscou também restabeleceu o
bloqueio dos portos ucranianos desde que abandonou o acordo de cereais,
acrescentou Gumenyuk. “O que está acontecendo agora é que quase todos os portos
estão bloqueados. Nenhum navio pode sair”, disse ela.
Portanto, Kiev conta com a “boa
vontade” de seus aliados ocidentais para fornecer sistemas antiaéreos “a
tempo”.
“Em dois ou três meses, é possível que não
tenhamos mais portos”, alertou.
O presidente Volodymyr Zelensky
acusou Moscou de deliberadamente mirar em locais usados para transportar e
armazenar cereais ucranianos, já que a Rússia, outro importante produtor e
exportador de cereais, diz que está pronta para substituir a Ucrânia.
Vladimir Putin até prometeu na
quinta-feira entregar cereais de graça para seis países africanos, e disse que
entre 25.000 e 50.000 toneladas de cereais poderiam ser entregues em breve.
“Eles querem dominar o Mar Negro.
Eles querem ter o monopólio dos cereais. Eles querem eliminar a Ucrânia como um
país capaz de alimentar o mundo”, argumentou Gumenyuk.
Ataque noturno em Odessa
Na noite de quarta-feira, a
Rússia voltou a atacar com mísseis de cruzeiro Kalibr uma infraestrutura
portuária na região de Odessa, no sul da Ucrânia, onde um guarda de segurança
morreu como resultado do bombardeio, informou a Administração Militar da região
em um comunicado.
“Como resultado do ataque, morreu
um guarda de segurança, um civil, nascido em 1979”, escreveu o representante da
Administração Militar da região de Odessa, Oleg Kiper, em sua conta no
Telegram.
Kiper explicou que os mísseis
russos causaram danos ao equipamento técnico de uma das terminais de carga de
um porto na região, que não especificou. Também sofreram danos uma construção
dedicada à segurança da infraestrutura e dois carros.
A Rússia atacou quase diariamente
na semana passada infraestruturas portuárias da região de Odessa dedicadas à
exportação de cereais, depois de anunciar que não estenderia o chamado acordo
do grão pelo qual se comprometeu em julho de 2022 a permitir a saída de
produtos agrícolas por três portos ucranianos do Mar Negro.
A Ucrânia busca com seus
parceiros internacionais fórmulas para reabrir o corredor previsto pelo acordo,
que é vital para a exportação de produtos agrícolas ucranianos, dos quais
depende em grande medida a segurança alimentar de várias regiões do mundo e a
estabilidade do mercado agrícola internacional.
(Com informações da AFP e EFE)

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!