Decisão permitia que os
profissionais pudessem atuar em território português sem a necessidade de
validação de diploma ou realização de prova adicional
A Ordem dos Advogados
Portugueses (OAP) rompeu, de forma unilateral, o acordo de reciprocidades
firmado com o Brasil que facilitava o trabalho de advogados brasileiro em
Portugal. A decisão foi publicada na terça-feira, 4, e passou a valer
no dia seguinte, na quarta-feira, 5. A OAP justifica a mudança afirmando que há
diferença notória na prática jurídica em Portugal e
no Brasil e alega que haveria sérios problemas de adaptação. “Existem sérias e
notórias dificuldades na adaptação ao regime jurídico português, à legislação
substantiva e processual, e bem assim às plataformas jurídicas em uso corrente,
o que faz perigar os direitos, liberdades e garantias portugueses e, de forma
recíproca, dos brasileiros”, diz a OAP, acrescentando que a mudança não afeta
brasileiros inscritos e advogados com processos de inscrição em curso, apenas
novas solicitações. O pacto, vigente desde 2015, garantia que advogados
brasileiros não precisassem revalidar seus diplomas nem fazer provas adicionais
para atuar no país. Para trabalhar em território luso só era preciso ter uma
inscrição válida e em atividade na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Em nota, a entidade brasileira se
pronunciou sobre o assunto e se disse surpreendida com o rompimento. “O
Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi surpreendido, nesta
terça-feira (4/7), pela decisão da Ordem dos Advogados Portugueses (OAP) de
romper, unilateralmente, o acordo de reciprocidade que permitia a inscrição de
advogados brasileiros nos quadros da advocacia de Portugal e vice-versa”,
declarou, acrescentando que há meses estava em curso um processo de diálogo
cujo objetivo era aperfeiçoar o convênio, “uma vez que a realidade demográfica,
social, legislativa e jurídica dos dois países evoluiu desde a assinatura do
acordo”. No comunicado, a OAB dá a entender que a decisão da OAP envolve
discriminação e mentalidade colonial. “A OAB, durante toda a negociação, se
opôs a qualquer mudança que validasse textos imbuídos de discriminação e
preconceito contra advogadas e advogados brasileiros. A mentalidade colonial já
foi derrotada e só encontra lugar nos livros de história, não mais no dia a dia
das duas nações”, fala.
O fim da decisão faz com que
advogados brasileiros que queira atuar e Portugal fiquem sujeitos aos mesmo
trâmites que se aplicam a advogados estrangeiros de fora da União Europeia.
Apesar da decisão, o presidente da OAB, Beto Simonetti, disse que a entidade
“buscará a retomada do diálogo, respeitando a autonomia da Ordem dos Advogados
Portugueses e compreendendo que a entidade europeia enfrenta dificuldades
decorrentes de pressões governamentais”, e continuará lutando pelos direitos
dos profissionais brasileiros aptos a advogar em Portugal. Simonetti também
ressaltou que a cooperação e amizade entre Brasil e Portugal, inclusive na
advocacia, têm resultado em inúmeros benefícios para ambos os países e,
sobretudo, para suas cidadãs e cidadãos.
Por Jovem Pan

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