Em carta escrita na prisão,
ex-deputado federal rebate versão do senador, que afirma ter debatido plano
para gravar ministro do STF com intuito de anular eleições de 2022
O ex-deputado federal Daniel
Silveira, que voltou a ser preso em fevereiro de 2023, após perder o
mandato na Câmara dos Deputados, rebate a versão apresentada
pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES) sobre uma reunião
com o ex-presidente Jair Bolsonaro que ocorreu em 9 de dezembro do
ano passado, na qual, segundo o parlamentar do Espírito Santo, foi discutido um
plano para gravar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre
de Moraes, a fim de anular as eleições de 2022, vencidas pelo atual
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em carta escrita na prisão, obtida
pela Jovem Pan, Silveira chama Do Val de “palhaço” e diz que o
enredo narrado pelo ex-colega de Congresso Nacional é “ridícula” e uma
“baboseira”. De acordo com a versão do ex-deputado, o senador o pediu para
conversar com Bolsonaro para passar uma “informação importante” envolvendo o
magistrado.
“Na semana seguinte o levei ao
presidente, claro, após avisá-lo que Marcos do Val insistiu muito. O presidente
o recebeu como qualquer outro parlamentar. A conversa durou pouco tempo, entre
10 minutos ou pouco mais e peça que não me cobre que seja um cronômetro para
marcar tempo de uma porcaria de reunião que se tornou um circo por conta de um
palhaço”, inicia Silveira. “Palhaço este que inventou uma história que torna-se
cada vez mais ridícula pelo óbvio. Presidente nem eu jamais havíamos visto o
membro da Swat, CIA, FBI, Mossad e Tutti quanti, portanto, por que pediríamos a
ele, logo ele, uma idiotice desta? Só um idiota roxo acreditaria nesta
baboseira”, segue Silveira. “Ademais, por que Alexandre de Moraes confessaria a
ele, logo a ele, algo substancial que o incriminasse? Tem que ser um completo
idiota para acreditar nesta história”, escreve o ex-deputado.
Em depoimento à Polícia Federal,
o ex-presidente Jair Bolsonaro disse que, na reunião ocorrida em dezembro, não
foi discutido nenhum plano para gravar o ministro Alexandre de Moraes.
“Inclusive, nada foi falado sobre o ministro Alexandre de Moraes”, garante o
ex-chefe do Executivo federal. Na quarta-feira, 19, Marcos do Val também depôs
e apresentou uma versão diferente. O senador afirma que a ideia de grampear o
integrante da Suprema Corte foi, sim, tratada no encontro. Ainda segundo Do
Val, a ideia para atingir Moraes com o intuito de anular o pleito vencido por
Lula foi tramada por Daniel Silveira. Em nota, a defesa do ex-deputado afirma
que as informações prestadas pelo ex-parlamentar à PF “corroboram com o que
fora dito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em depoimento vazado, refutando
como mentirosas as ilações apresentadas por Do Val, que responderá civil e
criminalmente por seus atos”.
Por Jovem Pan

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