Segundo a ONU, mais de 16 mil
pessoas já perderam suas casas e esforços estão em andamento para fornecer água
potável, dinheiro e apoio legal e emocional aos afetados; 42 mil habitantes
estão e situação de risco
Equipes ucranianas e unidades
russas seguem resgatando milhares de civis das áreas inundadas após a
destruição da represa de Kakhovka, que abastece a Crimeia,
anexada pela Rússia em 2014, e está localizada na direção das
tropas ucranianas que almejam reconquistar os territórios ocupados. A
responsabilidade ainda é desconhecida. Rússia e Ucrânia seguem
se acusando, mas não foi possível identificar o culpado. Alguns especialistas
independentes dizem que a barragem pode ter desabado devido a danos anteriores
e intensa pressão sobre ela. As autoridades temem uma catástrofe humanitária e
ecológica. Segundo a TASS, agência de informações russa, sete pessoas estão
desaparecidas. A cidade de Kherson, sob controle ucraniano desde novembro, a 70
km da represa, estava com as ruas inundadas. Estimava-se que o pico das
enchentes aconteceriam nesta quarta-feira, 7. Centenas de ucranianos tivera de
passar à noite e a madrugada em áreas altas, como telhados e árvores para
escapar das inundações. Segundo o promotor Andrii Kostin, mais de 17 mil civis
tiveram de ser retirados das áreas inundadas. “Mais de 40 mil pessoas podem
estar em áreas inundadas. Infelizmente, mais de 25 mil civis estão no
território sob controle russo”, disse no Twitter. Um funcionário de alto
escalão instalado pelos russos na parte da região de Kherson (sul) sob seu
controle anunciou a retirada de cerca de 900 pessoas das áreas ocupadas perto
do rio Dnieper. Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 16 mil pessoas
já perderam suas casas e esforços estão em andamento para fornecer água potável,
dinheiro e apoio legal e emocional aos afetados. Eles também informaram que 42
mil pessoas estão e situação de risco devido às inundações. O presidente da
Ucrânia, Volodymyr Zelensky, informou que milhares de pessoas
ainda não foram retiradas da região e estão sem acesso à água.
A Ucrânia afirmou que o ataque
contra a represa, tomada pela Rússia nos primeiros dias da guerra – em
fevereiro do ano passado -, foi uma tentativa de Moscou de frear a esperada
ofensiva de Kiev, que segundo o governo não será afetada. Zelensky disse que os
russos detonaram uma “bomba ambiental de destruição em massa”. Mais de 150
toneladas de óleo de motor foram derramadas no rio e milhares de hectares de terra
arável serão inundados, de acordo com Kiev. “Perdas de peixes já foram
registradas perdas na região”, alertou o ministério ucraniano da Agricultura,
que também citou uma futura haverá escassez de água para irrigação com o
esvaziamento do reservatório de Kakhovka. A Rússia, por sua vez, acusou a
Ucrânia de “sabotagem deliberada”. Para o primeiro-ministro ucraniano,
Denys Shmyhal, a Rússia provocou “uma das piores catástrofes ao meio ambiente
das últimas décadas”. Os aliados ocidentais da Ucrânia também criticaram o
ataque, que coloca em risco a vida de civis, em uma região já devastada pela
guerra. O governo dos Estados Unidos afirmou que a explosão pode ter
provocado várias mortes. Contudo, apesar da catástrofe, funcionários russos e
ucranianos informaram que não houve vítimas fatais.
O secretário-geral da ONU,
António Guterres, afirmou que o ataque é “outra consequência devastadora da
invasão russa à Ucrânia”. A China, aliada crucial da Rússia, expressou
preocupação com “impacto humano, econômico e para o meio ambiente” da explosão.
Oleksander Prokudin, comandante militar da região de Kherson, afirmou que a
“água ainda subirá um metro nas próximas 20 horas”. A destruição parcial da
represa, construída na década de 1950, provoca o temor de consequências para a
central nuclear de Zaporizhzhia, que fica a 150 km de distância, porque a usina
hidrelétrica de Kakhovka garante água de resfriamento para o local. A
Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) destacou, no entanto, que “não
há perigo imediato” e acrescentou que os especialistas estão monitorando a
situação. Assim como a represa, a central nuclear fica em uma área ocupada
pelas forças russas. A cheia do rio Dnieper, que tem a margem direita sob
controle das forças ucranianas e a margem esquerda sob domínio de Moscou,
submergirá as linhas de defesa russas. Mas afetará, em particular, as
forças ucranianas e a sua eventual operação militar na região, como parte de
uma contraofensiva para recuperar territórios no sul e leste do país.
Por Jovem Pan
*Com agências
internacionais


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