Ofensiva do Google e movimentação
de partidos como o Republicanos colocam em xeque aprovação do texto; líderes
vão discutir viabilidade da proposta em reunião nesta terça
A movimentação de parlamentares e
a ofensiva das big techs ameaçam a votação do projeto de lei 2630, popularmente
conhecido como PL das Fake News. Inicialmente, havia a expectativa
de que a proposta, relatada pelo deputado federal Orlando
Silva (PCdoB-SP), fosse votada nesta terça-feira, 2, pelo plenário
da Câmara dos Deputados. Segundo apurou o site da Jovem Pan,
agora, os líderes partidários devem se reunir antes do início da sessão da
Câmara para discutir a viabilidade da proposta – o deputado do PCdoB deve
comparecer. A cúpula da Casa avalia que o presidente Arthur Lira (PP-AL)
só colocará o relatório para a votação se tiver certeza de que o texto será
aprovado. A incerteza em relação ao PL das Fake News ocorre, principalmente, em
razão da mudança de posicionamento do Republicanos.
O partido, ligado à Igreja Universal, foi fundamental para a aprovação do
requerimento de urgência, que assegurou que a matéria fosse analisada
diretamente no plenário da Câmara, sem precisar passar pelas comissões.
Como a Jovem Pan mostrou, a sigla presidida pelo
deputado Marcos Pereira (SP) entregou mais votos favoráveis à tramitação
acelerada que legendas contempladas com três ministérios, caso do União Brasil,
por exemplo. No final de semana, Pereira, vice-presidente da Câmara, divulgou
um vídeo no qual anunciava a posição contrária do Republicanos ao projeto. No
início da noite desta segunda-feira, 1º, o presidente nacional do Partido
Liberal, Valdemar Costa Neto, foi ao Twitter se manifestar sobre o assunto:
“Vamos votar contra e vamos derrubar o PL da Censura”. O posicionamento de
Costa Neto não é exatamente uma novidade, já que o PL abriga nomes da tropa de
choque oposicionista no Congresso, como Carla Zambelli (SP), Eduardo Bolsonaro
(SP) e Bia Kicis (DF), críticos ferrenhos da proposta, que chamam de “PL da
Censura”, mas mostra a dificuldade para a aprovação do relatório. Deputados
ouvidos pelo site da Jovem Pan apostam, ainda, que cerca de 30
deputados do União Brasil – a bancada tem 59 integrantes – votará contra o
texto. “Até o final da última semana, achávamos que o governo tinha cerca de
240 votos, algo muito parecido com os 238 votos do requerimento de urgência;
agora, com a mudança do Republicanos, a aprovação subiu no telhado”, disse à
reportagem um deputado que tem participado da força-tarefa da oposição contra o
texto. A oposição lançou um site que traz um suposto placar da eventual
votação. Nas contas do portal, há 216 votos favoráveis e 241 contrários. Para
ser aprovado, o PL das Fake News precisa de, no mínimo, 257 votos.
Até a publicação desta
reportagem, não havia uma definição sobre a votação do projeto. O deputado
Orlando Silva, no entanto, já admite o adiamento. “Minha expectativa é que
amanhã seja feita a reunião de líderes e lá vai ser feita a avaliação de quando
vai à pauta, se vai amanhã mesmo, se vai outro dia. Porque a decisão se dá
sempre no dia da votação, ouvindo os líderes que têm consultado as bancadas
sobre o texto que apresentei”, disse em entrevista ao Instituto Conhecimento
Liberta nesta segunda-feira, 1º. Pelo Twitter, o parlamentar do PCdoB criticou
a campanha das plataformas digitais contra a proposta. “Absurdo! Google faz
campanha sórdida e desesperada para impedir a votação do PL 2630. Querem
continuar lucrando com a morte. Não nos curvaremos ao jogo sujo. Quem se diz
progressista e está aliado a essa canalhice deveria refletir. A história
cobrará! PL 2630 pelas crianças”, escreveu. No sábado, 29, Silva já havia
rebatido, em entrevista ao site da Jovem Pan, o manifesto
divulgado pelo Meta contra o seu relatório. Ao longo desta segunda-feira, o
Google tem exibido, abaixo do campo de busca de sua página principal, um
link com a descrição “O PL das Fake News pode aumentar a confusão sobre o que é
verdade ou mentira no Brasil”, que leva a um material produzido pela empresa
com argumentos sobre sua posição contrária ao atual texto do projeto de lei. “O
Projeto de Lei 2630/2020 pode ir à votação antes mesmo que diversos setores da
sociedade, incluindo parlamentares, tenham tido acesso ao texto que será
votado. Se for aprovado do jeito que está, o PL iria na contramão do seu
objetivo original de combater a disseminação de notícias falsas. Uma das
consequências indesejadas, por exemplo, é que o PL acaba protegendo quem produz
desinformação, resultando na criação de mais desinformação”, diz um trecho do
texto.
Por André Siqueira

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