Protestos violentos
assombraram o país no início do ano contra o governo. EFE/ Hugo Curotto
Comissão Interamericana de
Direitos Humanos (CIDH) analisou os meses de protestos contra o governo; 66
pessoas morreram
A presidente do Peru, Dina Boluarte,
negou nesta quarta-feira, 3, que tenham ocorrido “execuções extrajudiciais” e
um “massacre” durante os protestos contra o governo que sacudiram o país nos
últimos meses, como afirmou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos
(CIDH) em seu último relatório. “Como em qualquer relatório, há questões com as
quais não concordamos, mas respeitamos, especialmente vindo de um órgão do
sistema interamericano de direitos humanos como
a CIDH. De fato, rejeitamos a suposta existência de execuções extrajudiciais e
a qualificação de massacre, mesmo quando são mencionados de maneira condicional
nos eventos que ocorreram durante os protestos”, declarou a presidente, que
estava acompanhada de ministros. Em seu relatório, a CIDH afirma que a resposta
do Estado aos protestos que aconteceram após o autogolpe fracassado do
ex-presidente Pedro
Castillo “foi caracterizada pelo uso desproporcional, indiscriminado
e letal da força”. O órgão também denunciou que na cidade andina de Ayacucho
houve casos de “execuções extrajudiciais, que teriam resultado em graves
violações dos direitos humanos”. Boluarte alegou que as mortes ocorridas
durante os protestos estão sendo verificadas pela Justiça e que é “importante”
que essas investigações avancem rapidamente para encontrar os responsáveis.
A presidente defendeu as Forças
Armadas do Peru e a Polícia Nacional, que “sempre estarão a serviço da
sociedade para proteger sua integridade”. “O relatório geral sempre usa
condicionalidades, os membros da CIDH passaram dois ou três dias, (…) não creio
que tenham conseguido chegar a conclusões, por isso falam condicionalmente”,
disse Boluarte, em relação às visitas ao país feitas pela instituição em
dezembro de 2022 e janeiro passado. O primeiro-ministro peruano, Alberto
Otárola, declarou que “não parece adequado aos critérios de razoabilidade e
proporcionalidade que a CIDH conclua que houve episódios graves de uso da força
depois de apenas uma entrevista e duas visitas ao Peru”. A presidente peruana
negou que tenha havido racismo durante a repressão aos protestos, como indica o
relatório, e afirmou que em seu governo “não há discriminação por motivos de
raça, religião ou qualquer outro tipo”, se referindo a várias citações de
membros do Executivo durante os últimos meses que as organizações de direitos
humanos criticaram.
“Desde que assumimos o cargo, não
houve nenhum discurso de polarização entre um ou outro, muito menos de divisão.
Sempre pedimos unidade, paz e diálogo”, acrescentou Boluarte. Ela parabenizou o
fato de o documento da CIDH ser firme na condenação ao golpe de Estado,
realizado pelo então presidente Pedro Castillo em 7 de dezembro de 2022, e o
reconhecimento do órgão regional da rápida resposta das instituições peruanas
para preservar a ordem constitucional e o Estado de Direito durante aqueles
eventos. Boluarte enfatizou que o Estado respeita os compromissos
internacionais de direitos humanos, que são “pilares fundamentais” para o
governo, e que, por esse motivo, assim que os protestos começaram em dezembro
de 2022, a CIDH foi convidada ao país para avaliar a situação.
Por Jovem Pan
*Com informações da EFE
http://dlvr.it/SnYmK0

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!