Por 283 votos a 155, deputados
aprovaram projeto de lei 490/07; texto estabelece que apenas as terras já
ocupadas por povos indígenas em 5 de outubro de 1988 poderão ter a demarcação
reivindicada
A Câmara dos Deputados aprovou
nesta terça-feira, 30, em plenário o Projeto de Lei 490/2007, que institui o Marco Temporal de Demarcação das Terras
Indígenas. Sob relatoria do deputado Arthur Maia (União-BA),
a matéria estabelece que apenas as terras já ocupadas por povos indígenas em 5
de outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal, poderão ter a
demarcação reivindicada. O placar foi de 283 votos favoráveis, 155 contrários e
uma abstenção, consolidando uma nova – e expressiva – derrota do Executivo na
área ambiental. O site da Jovem Pan antecipou que o Palácio do
Planalto já esperava um placar elástico, já que a bancada do agronegócio, de
cerca de 300 deputados, considerava a aprovação prioritária e estaria em peso
na votação. Com isso, membros
da base tentavam articular para retirar o projeto de lei (PL) 490 da pauta,
inclusive, com apresentação de um requerimento para adiamento da análise em
plenário – também derrotado.
Ao longo do dia, líderes da base
governista buscavam negociar uma solução provisória e convencer o presidente da
Casa, Arthur Lira (PP-AL), a retirar o projeto de lei (PL) 490
da pauta, garantindo mais tempo para construir acordos em prol da derrubada da
matéria. A proposta seria articular com o Supremo Tribunal Federal (STF)
para um movimento conjunto. Ou seja: a análise do mérito do PL 490/07 no
plenário da Câmara seria adiada, e o julgamento do tema na Corte, inicialmente
marcado para ocorrer no próximo dia 7, também seria postergado. No entanto,
segundo o político alagoano, as tratativas não avançaram. “Esperamos o governo
até agora, que ontem [segunda] pediu para construir algum acordo. Nós não nos
negamos a fazer acordo, procuramos a AGU três meses seguidos para que não chegasse
a esse momento. Mas o Supremo vai pautar no dia 7 e o Congresso precisa
demonstrar que está tratando os temas”, disse Lira.
Com a inclusão do Marco Temporal
“na calada da noite” e votação “a toque de caixa”, o resultado da votação marca
mais um revés para o Planalto na Câmara dos Deputados e escancara – pela
segunda semana consecutiva – as inconsistências da inexpressiva base
governista. Isso porque desde a semana passada, após a aprovação do novo marco
fiscal do Brasil, o governo Lula 3 já soma três derrotas consecutivas na Casa,
sob a presidência de Arthur Lira: o relatório do deputado
federal Insaldo Bulhões (MDB-AL) que desidrata a MP dos
Ministérios; o avanço da urgência do Marco Temporal; e, agora, a aprovação do
mérito. Ainda nesta terça, há possibilidade de que os deputados chancelem mais
uma derrota do Executivo, representada pela aprovação do relatório final da MP
dos Ministérios.
Por Jovem Pan

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