O corpo da pensionista Lindama
Benjamin de Oliveira, de 59 anos, que morreu após passar por um procedimento
lipoescultura com enxerto no glúteo, foi sepultado na presença dos familiares
no Cemitério Âncora, em Rio das Ostras, neste domingo. Lindoma, que morava em
Cabo Frio, se internou na última quinta-feira para fazer uma cirurgia plástica
no abdômen em uma clínica de estética na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
Segundo parentes, ela com a ajuda
namorado chegou ao Rio na quarta-feira e se hospedou em um hotel próximo do
Hospital Viteé Cirurgia Plástica e Estética, onde faria o procedimento por
indicações de amigos. A pensionista pagou R$ 14 mil reais no pix e mais R$ 2
mil reais em curativos e internação. Segundo a enfermeira Rose Mello, a irmã
estava em contato com a clínica há cerca de um mês. E ela vinha juntando o
valor utilizado para pagar a cirurgia há tempos, já que o procedimento “era o
sonho de sua vida”.
— O namorado dela ficou o tempo
todo me dando notícias. Na sexta de manhã, eu falei com ela por telefone. Ela
gemia de dor, estava com a pressão caindo e anêmica. Pedi para conversar com o
médico e ele disse estar tudo bem. Mais tarde, o quadro dela foi piorando,
então pedi para o meu filho me levar para o Rio. Quando cheguei lá não era um
hospital, era uma casa, tudo muito bagunçado e nem UTI. Entrei no quarto e vi
que minha irmã estava quase morrendo — afirmou Rose.
De acordo com os relatos, Lindama
estava perdendo muito sangue e com a saturação baixa. Ainda segundo a
enfermeira, o médico responsável pela cirurgia Heriberto Ivan Arias Camach
chegou a pedir um exame de sangue que ficou pronto horas depois. A irmã da
vítima, acusa o médico e a clínica de negligência e questiona a demora no
atendimento.
— O exame de sangue chegou com o
nome dela errado, sem data e hora. Não dá para saber se ele foi realmente feito
ou apenas preenchido. Eles montaram uma clínica na casa. A sala é a recepção e
os quartos eram os leitos. Perguntei porque minha irmã não estava no CTI. No
site dizia ter CTI e atendimento 24 horas. Não foi o que vi lá. Não pediram
para gente colocar máscara e todo mundo estava entrando. Era uma bagunça. Por
que ele não socorreu ela desde as nove horas da manhã, quando ela começou a
passar mal? — questiona Rose.
No site do Conselho Regional de
Medicina do Estado do Rio, o registro dele está “ativo". Rose afirma que a
irmã, com a piora do quadro clínico, precisou ser transferida às pressas para o
Hospital Semiu, na Vila da Penha, Zona Norte, por indicação de Airas. Lindama
teria tido uma parada cardíaca no trajeto e já chegou sem vida na unidade.
— O próprio médico solicitou essa
vaga na Penha. Ele falou que foi o único lugar que tinha uma vaga, mas a
descobrimos que ele também trabalha neste hospital — pontuou Rose.
O atestado de óbito mostra que a
vítima morreu devido a uma perfuração do intestino e hemorragia. O caso foi
registrado na 27ª DP (Vicente de Carvalho) e será encaminhado para a 16ª DP
(Barra da Tijuca), que dará continuidade às investigações. Diligências estão em
andamento para esclarecer os fatos.
De acordo com familiares, o
médico e funcionários da clínica ainda não foram ouvidos. Além disso, o
namorado que esteve presente durante todo o procedimento e a irmã que
acompanhou a transferência, também não.
— Eu espero que ele seja preso
antes que fuja do país. Ele não é brasileiro e se a polícia demorar para agir ele
pode dar um jeito de ir embora e não pagar. Está claro que minha irmã foi
vítima de negligência. Espero que os envolvidos paguem por isso — desabafou
Rose.
O GLOBO não conseguiu contato com
a defesa do médico até o final desta reportagem.
Jéssica Marques/Yahoo Notícias

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