Resolução, aprovada pela cúpula
do partido nesta segunda-feira, 11, orienta parlamentares a convidar presidente
do Banco Central para prestar esclarecimentos no Congresso
O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT)
se reuniu nesta segunda-feira, 13, em Brasília, e aprovou uma orientação para
que os parlamentares petistas eleitos e recém empossados possam articular no
Congresso Nacional para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto,
seja convidado a prestar esclarecimentos sobre a condução da política
monetária. A informação foi confirmada pelo deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP)
à equipe de reportagem da Jovem Pan. Após o encontro, a presidente
do PT e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR)
discursou no ato político em comemoração aos 43 anos da legenda petista e falou
sobre o Bacen – sem citar o executivo de maneira direta. “O Banco Central, uma
autarquia do Estado brasileiro, corrobora com a mentira impondo um arrocho de
juros elevado ao Brasil. Isso tem que mudar e nós temos de parar de ter medo de
debater política econômica, seja ela monetária, fiscal ou cambial”, disse a
mandatária. O entendimento da alta cúpula petista é mais um capítulo na série
de atritos entre Campos Neto e os políticos da sigla nos últimos dias. Nesta
terça, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT),
afirmou na reunião do Diretório Nacional que que o Brasil é o único país do
mundo com taxas de juros tão altas e sugeriu que a meta inflacionária seja revista
para cima – a fim de ampliar os gastos públicos. O entendimento do petista
expõe uma mudança no tom do chefe da pasta, após Haddad declarar na última
semana que a ata divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) era “mais
amigável em relação aos próximos passos que precisam ser tomados”. De acordo
com apuração realizada pela Jovem Pan, já há no Senado Federal a
expectativa de que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprove um convite a
Campos Neto após o Carnaval.
Além da presidente nacional do PT
e do ministro da Fazenda, o chefe da pasta do Trabalho, Luiz Marinho (PT),
também criticou a condição do Banco Central por Campos Neto. Ao participar da
reunião da diretoria da da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp), o ex-prefeito de São Bernardo do Campo endossou as críticas petistas e
afirmou que Campos Neto tem “mão pesada demais”. “Juro, de fato, atrapalha”,
argumentou. Segundo o petista, há um trabalho de sensibilidade da direção do
Banco Central para que a taxa de juros – Selic – no país, seja reduzida a fim
de auxiliar no crescimento econômico do país. “Banco Central autônomo para quê?
Acho que para poder garantir que não tem influência indevida de governo no
processo de estabelecimento das políticas, e não ao contrário”, pontuou. Outra
importante figura do Partido dos Trabalhadores, o líder do PT na Câmara,
deputado Zeca Dirceu (PT-PR),
publicou nas suas redes sociais uma convocação a duas manifestações promovidas
pelo sindicato dos bancários que pedem a redução dos juros no país. “Bancários
do Brasil farão atos amanhã pela redução da taxa Selic, com palavras de ordem
‘Fora Campos Neto’!”, publicou Dirceu. As retóricas coincidem com as falas do
presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), que passou a mirar contra Campos Neto após a
decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) em manter a taxa de juros em
alta. Em declarações anteriores, o chefe do Executivo chamou a decisão de “uma
vergonha”. “Quando o Banco Central era dependente de mim, todo mundo reclamava.
O único dia em que a Fiesp falava era quando aumentava os juros. No meu tempo,
10% eram muito, hoje, 13,5% é pouco”, afirmou durante cerimônia de posse de
Aloizio Mercadante como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social
(BNDES).
Por Jovem Pan

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