Presidente disse que José Múcio
permanecerá à frente do Ministério da Defesa e ressaltou que é não possível
trocar a chefia das pastas ‘em qualquer adversidade’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
realizou um café da manhã com jornalistas nesta quinta-feira, 12, e, nele,
falou sobre as invasões dos manifestantes na sede dos Três Poderes no domingo,
8, e a permanência no cargo do ministro da Defesa, José Múcio, em meio a
rumores de sua possível renúncia. Segundo o chefe do Executivo federal,
as Forças Armadas não
podem pensar e agir como se fossem o poder moderador do país – o que, de fato,
não são. “As Forças Armadas sabem que seu papel está definido na Constituição,
que é a defesa do povo brasileiro e da nossa soberania contra possíveis
inimigos externos. Está definido na Constituição e é isso que
quero que façam bem feito. As Forças Armadas não são poder
moderador como pensam que são”, declarou. O mandatário ainda reforçou que não
teve nenhum problema com os militares no período em que governou o país – de 2003
a 2010 – e que os comandantes que lideravam as Forças em seu governo
continuaram no comando com a agora ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O
petista pediu ao oficialato que sua relação com as Forças seja “civilizada” e
informou que não instaurou a Garantia da Lei e da Ordem (GLO)
no último domingo para que a responsabilidade da gestão fosse sua. “Se eu
tivesse feito GLO, eu teria assumido a responsabilidade de abandonar a minha
responsabilidade. Aí sim, estaria acontecendo o golpe que as pessoas queriam. O
Lula deixa de ser governo para que algum general assuma o governo. Quem quiser
assumir governo que dispute eleição e ganhe”, declarou.
Sobre a possível saída de José
Múcio à frente do Ministério da Defesa,
Lula garantiu que o ex-deputado e ex-presidente do Tribunal de Contas da União
(TCU) permanecerá no governo, afirmou que confia no seu auxiliar e ressaltou
que não é possível trocar os chefes das pastas em qualquer adversidade. “Se eu
tiver que tirar cada ministro a hora que ele comete um erro, vai ser a maior
rotatividade de mão de obra da história do Brasil. Todos nós
cometemos erros. Ele vai continuar sendo meu ministro porque eu confio nele,
relação histórica, tenho o mais profundo respeito por ele. Ele vai continuar”,
disse. Uma ala do governo tem pressionado Lula a trocar Múcio. O processo de
fogo amigo se acentuou, sobretudo, após o titular da Defesa defender os grupos
que acampavam na porta de quartéis. O tom se contrapunha à postura adotada pelo
ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que defendia medidas
enérgica para desmobilizar os agrupamentos – Dino chegou a dizer, inclusive,
que os acampamentos serviam como “incubadora de terroristas”.
O principal exemplo de fogo amigo
contra Múcio ocorreu na noite da terça-feira, 10, quando o deputado
federal André
Janones (Avante-MG), que abdicou de sua candidatura à Presidência
da República para apoiar Lula, afirmou, em seu perfil no Twitter, que o
ministro da Defesa apresentaria sua carta de renúncia “nas próximas horas”. O
parlamentar, no entanto, foi desmentido por Múcio. Em um intervalo de 13
minutos, Janones voltou ao seu perfil para dizer que a informação divulgada
anteriormente não procedia.
Por Jovem Pan

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