Ministro da Fazenda acredita que
não é ‘conciliável’ estar no Mercosul e negociar com outros países ao mesmo
tempo
O ministro da Fazenda, Fernando
Haddad, criticou o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, em razão de o líder
uruguaio defender o livre-comércio entre países. A declaração do petista foi
proferida nesta segunda-feira, 30, durante reunião com a Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
“Ele [Lacalle Pou] está
quase pedindo licença para fazer um acordo de livre-comércio com a China
sozinho”, disse Haddad. “Ele quer o melhor dos mundos: ficar no Mercosul e
fazer um acordo de livre-comércio, o que, na minha opinião, é difícil de conciliar.”
Na semana passada,
Lacalle Pou disse que o Mercosul deve ser “moderno, flexível e aberto ao
mundo”. “Sabemos que o Brasil tem um peso econômico e demográfico importante,
não tenho problema nenhum em admitir isso”, observou. “O Uruguai vai avançar
nas negociações com a China, como tem feito até agora. O Brasil pode,
paralelamente, fazer seu caminho. Depois disso, vamos compartilhar tudo aquilo
que foi negociado. Para resumir: o Mercosul que queremos precisa ser um
Mercosul moderno, flexível e aberto ao mundo.”
A declaração de Lacalle Pou
ocorre na esteira das recentes críticas de integrantes do bloco aos uruguaios.
Os coordenadores nacionais do Brasil, da Argentina e do Paraguai no Mercosul
criticaram o fato de Montevidéu ter buscado acordos bilaterais com outras
nações.
Em nota conjunta, os três países
disseram ter informado o Uruguai que se reservam o “direito de adotar as
eventuais medidas que julgarem necessárias para a defesa de seus interesses”
jurídicos e comerciais.

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