Segundo Evair Vieira de Melo,
Lula 'está trabalhando nos bastidores' para impedir a abertura da comissão
O deputado federal Evair Vieira
de Melo (PP-ES) propôs a criação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para
investigar a possível responsabilidade do Ministro de Justiça e Segurança
Pública, Flávio Dino, nos atos que ocorreram em Brasília, no domingo 8.
O parlamentar acredita que Dino
sabia antecipadamente dos atos de vandalismo que ocorreriam no Distrito
Federal, já que o ministro tem informações privilegiadas do Gabinete de
Segurança Institucional (GSI) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Segundo Vieira de Melo, a Abin
encaminhou a Dino uma notificação da Agência Nacional de Transportes Terrestres
(ANTT). A mensagem informava que havia um volume incomum de ônibus sendo
fretados com destino a Brasília — o que suscitaria maior atenção das
autoridades. Conforme o texto encaminhado pela ANTT, havia um total de 105
ônibus, com cerca de 3,9 mil passageiros.
Com exclusividade, o congressista
disse a Oeste que há indícios graves de que o ministro tinha
informações privilegiadas e prevaricou. Vieira pondera que a forma como o
Supremo Tribunal Federal (STF) está agindo em relação ao governador afastado do
DF, Ibaneis Rocha, é exagerado e não tem amparo legal.
A seguir, os principais trechos
da entrevista.
Por que o senhor propôs essa
CPI?
Estou usando uma prerrogativa
legal e exercendo o pleno direito do mandato. Fiscalizar o Executivo é nosso
dever. Temos indícios graves de que o ministro tinha informações privilegiadas
e prevaricou: as falas dele, em inúmeras entrevistas, também vão na mesma
direção. Ele deixa rastros, que precisam ser investigados pelo Parlamento.
Mais pessoas serão
responsabilizadas?
Todas as pessoas que tinham
informações e não atuaram para mitigar precisam ser investigas. O STF está
agindo em relação ao governo de Brasília, a nosso juízo, de forma exagerada e
sem amparo legal. Entendemos que todos devem ter o mesmo tratamento.
A CPI também vai investigar o
presidente Lula?
Temos informações de que o
presidente Lula está trabalhando nos bastidores para impedir a CPI. Ele sabe
que pode ser a ponta do iceberg e pode chegar até ele. A ida
dele a Sorocaba está sob investigação. Todos os nossos requerimentos de
informações da viagem ainda não foram respondidos.
O senhor teme alguma reação do
ministro do STF Alexandre de Moraes?
Caso o ministro Alexandre
interfira nesse processo da CPI, o que não acredito, seria o que chamamos de
“pá de cal”. Seria a declaração de parcialidade. Ele não tem essa prerrogativa
legal.
O senhor defende uma punição
para os envolvidos, sejam eles civis, sejam autoridades?
Precisamos de punição exemplar
para os atores do vandalismo. E, no mesmo nível, para todos que poderiam ter
agido com suas competências e não as exerceram.

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