O requerimento foi feito pela
defesa da ex-parlamentar no quarto dia de julgamento da ex-deputada
A juíza Nearis dos Santos negou o
pedido da defesa de Flordelis para exumar o corpo do pastor Anderson do Carmo,
assassinado em 2019. A intenção era saber se há vestígios de substâncias
tóxicas que corroborem com os relatos de algumas testemunhas de que ele teria
sido envenenado.
O pedido aconteceu após o
depoimento do médico legista e perito criminal Sami Abder Rahim, o mesmo
contratado pela defesa do ex-vereador Jairinho para depor no caso Henry Borel.
Ele foi arrolado pela defesa de Flordelis e afirmou não estar recebendo remuneração
para fazer a análise do caso. O médico também acredita que não houve tentativa
de envenenamento do pastor, nem com cianeto nem com arsênico, substâncias que,
segundo a investigação policial, foram pesquisadas na internet por filhas da
ex-parlamentar.
Nesta quinta-feira (10), quarto
dia de julgamento de Flordelis e de mais quatro réus acusados de envolvimento
no crime, sete testemunhas foram ouvidas. Outras 13 devem prestar depoimento
nos próximos dias. A expectativa é de que a sentença só seja dada no próximo
fim de semana ou depois.
A sessão desta quinta começou com
a oitiva de Roberta do Santos, filha afetiva de Flordelis. Ela afirmou que
tinha certeza de que a mãe foi a responsável intelectual pela morte do pastor.
“Flordelis sabia de tudo que
acontecia. Ela era soberana de tudo na casa, e só aconteceu tudo porque ela
permitiu que acontecesse”, complementou em plenário.
Além dela, Rebeca Rangel Silva,
neta de Flordelis, e Erica dos Santos de Souza, filha adotiva da ex-deputada,
foram ouvidas como testemunhas de acusação.
Testemunhas de defesa
Além do médico legista, outras
testemunhas de defesa começaram a ser ouvidas nesta quinta. Tayane Dias, filha
afetiva, foi a primeira a depor e disse que Flordelis é uma mulher íntegra e
amorosa, ao contrário do pastor. De acordo com a depoente, Anderson do Carmo
teria abusado de pelo menos duas filhas do casal.
“Todo mundo na casa ficou sabendo
dos casos de abuso”, disse.
Ainda foi ouvido o médico Diogo
Bugano, responsável por um tratamento contra o câncer realizado no Hospital
Albert Einstein, em São Paulo, por Simone dos Santos, filha biológica de
Flordelis e uma das julgadas.
O desembargador Siro Darlan
também foi ouvido pelo tribunal do júri. Ele acompanhou o acolhimento de crianças
e adolescentes no início da carreira de Flordelis. Ele teceu diversos elogios a
ela, dizendo, principalmente, que as crianças eram bem tratadas. Ele contou
ainda que estreitou relacionamento com a família e chegou a aconselhar
Flordelis a não entrar na política. As palavras do desembargador manifestaram o
primeiro momento em que Flordelis se manifesta no plenário vocalmente. Ela
chorou copiosamente e deixou o plenário dizendo “me perdoa, eu sou inocente”.
Além da ex-deputada federal,
estão sendo julgados: a filha biológica de Flordelis Simone dos Santos, a neta
Rayane dos Santos e os filhos afetivos André Luiz e Marzy Teixeira.
Flordelis é acusada de ser a
mandante do assassinato e responde por homicídio triplamente qualificado – por
motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da
vítima -, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa
armada.
O pastor Anderson do Carmo era
casado com Flordelis há 25 anos. Ele foi executado a tiros no dia 16 de junho
de 2019, na garagem da casa onde morava com a família em Pendotiba, na cidade
de Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Flordelis nega participação e a
defesa da ex-deputada acredita na absolvição.
CNN

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