PRF e PM atuam em diversos pontos
de bloqueio no estado para garantir a fluidez do trânsito
Rio - Caminhoneiros apoiadores do
presidente Jair Bolsonaro (PL) continuam, pelo segundo dia, com os protestos
nas estradas do Rio de Janeiro. Os manifestantes não aceitaram o resultado das
eleições que deu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reivindicam que
as Forças Armadas promovam uma intervenção militar, o que é proibido pela
Constituição Federal. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar
atuam em diversos pontos de bloqueio no estado, para garantir a fluidez do
trânsito e a segurança de motoristas e pedestres.
De acordo com o boletim
das 9h45 da CCR Rio-SP, no Km 281, em Barra Mansa, o tráfego flui
parcialmente na pista sentido Rio e sem registro de lentidão. Já no Km
197, em Queimados, o trânsito está totalmente bloqueado e provocoando retenção
de um quilômetro nos dois sentidos da pista. Segundo a PRF, no local há 30
manifestantes com materiais inflamáveis, fogos e sinalizadores. Em Resende, o
tráfego está totalmente bloqueado no Km 310 e há lentidão de dois quilômetros
na pista sentido Rio e um quilômetro no sentido São Paulo.
Em Jacareí, o trânsito está
totalmente bloqueado e causa retenção de três quilômetros na pista sentido Rio
de Janeiro e cinco no sentido São Paulo. Segundo a Polícia Rodivária Federal,
no Km 76, em Teresópolis, aproximadamente 50 pessoas provocam interdição
parcial nos dois sentidos, com trânsito fluindo no esquema siga e pare, com a
passagem apenas de carros de passeio e ônibus. Os veículos de carga permanecem
retidos. Já em Itatiaia, no Km 310, veículos de carga a causaram a
interdição total no sentido Rio, mas uma faixa foi liberada às 8h34.
Em Caçapava, o tráfego também
flui parcialmente no Km 130, mas há lentidão de um quilômetro no sentido Rio de
Janeiro. Em São José dos Campos o trânsito está totalmente bloqueado no Km 149,
na pista expressa e marginal, provocando retenção de 1,5 quilômetro. Na mesma
região, no Km 157, o tráfego flui parcialmente, mas há lentidão de sete
quilômetros na pista sentido Rio de Janeiro.
No Km 184, em Nova Iguaçu, 300
participantes do ato chegaram a interditar totalmente os dois sentidos da
via na tarde de ontem e o Corpo de Bombeiros precisou ser acionado para
combater um incêndio provocado pelo grupo. A pista sentido Rio de Janeiro foi
liberada às 23h e a com destino a São Paulo somente às 1h20.
Também em Barra Mansa, ambos os
sentidos da pista no Km 276 foram totalmente fechados por 100 manifestantes,
com liberação de passagem apenas para veículos de passeio e ônibus com idosos,
crianças e portadores de necessidades especiais. O trecho foi liberado apenas
às 4h25 desta terça-feira. Já no Km 263, em Volta Redonda, 20 participantes
provocaram interdição parcial no sentido crescente e a pista foi liberada às
2h10.
Ainda segundo a CCR, na
BR-101 Rio-Santos, o tráfego foi totalmente bloqueado nos Kms 576 e 533, em
Paraty e há registro de retenção de um quilômetro nos dois locais. De acordo
com a PRF, um grupo de 80 pessoas está no primeiro ponto e outros 50
manifestantes no segundo. A concessionária recomenda que os motoristas
evitem tráfegarpor estas regiões até a normalização das condições de tráfego,
que podem ser consultadaspelo Disque CCR RioSP (telefone 0800-0173536).
A PRF informou que também na
BR-101, no Km 392, em Itaguaí, há 100 manifestantes em cada sentido
realizando interdição parcial. Uma faixa está livre em cada sentido. Já em
Itaboraí, no Km 297, 30 participantes da manifestação provocam o fechamento
total da pista sentido Espírito Santo, enquanto o sentido contrário está
parcialmente interditado, com uma faixa liberada para veículos de
passeio.
Segundo a Polícia Rodoviára
Federal, o Km 70 da BR-101, em Campos dos Goytacazes, os dois sentidos foram
liberados às 9h. Mais cedo, 60 manifestantes realizaram interdição total em
ambos os sentidos e caminhões jogaram terra na pista. No Km 75, na mesma
região, a pista foi liberada às 6h30, depois que 60 pessoas incendiaram objetos
e causaram interdição parcial em ambos os sentidos. Em Casimiro de Abreu,
no Km 193, a pista de sentido Rio chegou a ficar totalmente interditada, logo
após a praça do pedágio, por conta da presença de apoiadores do atual
presidente, e só foi liberada à 0h45.
Na BR-040, em Duque de
Caxias, a pista está parcialmente interditada no sentido do Rio, por conta
de pneus espalhados no Km 113. Em Petrópolis, há ponto de concentração sem
impacto no trânsito. Por volta das 8h50, uma faixa foi liberada nos sentidos
Rio e Juíz de Fora. No Km 109, também em Caxias, havia 180 manifestantes com
carro de som provocando interdição total das pistas laterais, com apenas uma
faixa liberada nas pistas centrais em cada sentido. Às 1h30, os sentidos Rio e
São Paulo foram totalmente liberados.
Na BR-493, há 20 manifestantes
provocando interdição parcial no Km 69, em Nova Iguaçu, no sentido Duque de
Caxias. No Km 0, em Itaboraí, a pista está parcialmente interditada, por conta
da presença de 30 manifestantes. O trânsito está em esquema siga e pare para
veículos de passeio. Por volta das 20h desta segunda-feira (31), 130 pessoas
atearam fogo em pneus e o Corpo de Bombeiros conseguiu apagar as chamas às
21h50.
O Km 50 da BR-356, em
Itaperuna permanece totalmente interditado em ambos os sentidos, devido ao
ato de 60 manifestantes. No Km 157, em Campos dos Goytacazes, há 10
manifestantes interditando a pista parcialmente a pista com galhos em
ambos os sentidos. Já no Km 152, também em Campos, o ato conta com 20 apoiadores
de Jair Bolsonaro e três veículos de carga, causando interdição total da pista
nos dois sentidos.
Por fim, em São João da Barra, um
grupo de 20 pessoas deixa a pista totalmente interdita em ambos os
sentidos. De acordo com a PRF, durante a madrugada, as equipes atuaram em
todos os pontos de interdição, com as forças de choque e agentes especializados
em negociação, seguindo protocolo de gerenciamento de crise.
Ministro do STF determina
desobstrução imediata de rodovias
Na noite de segunda-feira, o
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a
desobstrução imediata de rodovias e vias públicas que estejam ilicitamente com
o trânsito interrompido. A decisão também estipulou multa de R$ 100 mil por
hora para donos de caminhões que estajam sendo usados nos bloqueios.
Por conta da "omissão e
inércia", o magistrado determinou ainda que a PRF adotasse todas as
providências, sob pena de multa de R$ 100 mil ao diretor-geral da
instituição, Silvinei Vasques, contando da 0h de 1º de novembro, além da
possibilidade de afastamento de suas funções e até prisão em flagrante por
crime de desobediência, caso seja necessário.
A decisão do ministro atendeu ao
pedido da Confederação Nacional dos Transportes, que apontou transtornos e
prejuízos a toda sociedade com paralisações em diversas rodovias do país, em ao
menos 10 estados. Segundo a CNT, as paralisações se caracterizam como
"manifestações antidemocráticas e, potencialmente, criminosas que atentam
contra o Estado Democrático de Direito".
Segundo Moraes,
a Constituição assegura o direito de greve, manifestação ou paralisação,
mas, assim como outros direitos, eles são relativos, "não podendo ser
exercidos, em uma sociedade democrática, de maneira abusiva e atentatória à
proteção dos direitos e liberdades dos demais". O ministro apontou ainda
que os atos "vem acarretando efeito desproporcional e intolerável sobre
todo o restante da sociedade, que depende do pleno funcionamento das cadeias de
distribuição de produtos e serviços para a manutenção dos aspectos mais
essenciais e básicos da vida social".
Também na noite de ontem, a Justiça
Federal determinou que a PRF interrompa as manifestações de caminhoneiros
apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em rodovias federais de
todo Brasil e a remoção de pessoas, veículos ou objetos que obstruam o
tráfego na rodovia, com uso de aparelhos e guinchos ou com reforço policial.
A decisão prevê multa diária de
R$ 5 mil por pessoa física participante e por pessoa jurídica que lidere ou
preste apoio ao movimento. Após a decisão, o comando da instituição
confirmou que irá
realizar o cumprimento da ordem judicial e que a desocupação
das pistas será feita principalmente através do diálogo e da negociação.

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