Uma bandeira cubana tremula perto de uma área destruída do depósito de combustível que foi envolvido em chamas por cinco dias depois que um raio atingiu um de seus tanques, em Matanzas, Cuba, em 10 de agosto de 2022. Yamil Lage//AFP
Foram encontrados 754 fragmentos
em 14 grupos de restos ósseos; todo o material foi exposto a temperaturas que
chegaram a 2.000º C
As autoridades de Cuba concluíram nesta
quarta-feira, 17, que é “impossível identificar de forma absoluta” a identidade
dos restos ósseos encontrados na área do incêndio industrial ocorrido
em um depósito de combustíveis em Matanzas, no oeste da ilha. Em
uma coletiva de imprensa, Jorge González Pérez, presidente da Sociedade Cubana
de Medicina Legal, destacou que – apesar de não ser possível realizar um teste
de DNA devido ao grau de calcinação – pode-se concluir que os fragmentos
correspondem às 14 pessoas desaparecidas. González Pérez fez seu pronunciamento
pouco depois de ter se reunido com os parentes e amigos dos desaparecidos – dos
quais o legista não quis revelar seus nomes e idades. Na área do incêndio,
considerado o maior desastre industrial da história do país, foram
encontrados 754 fragmentos em “14 grupos de restos ósseos”, segundo
González Pérez. Os restos encontrados foram expostos a temperaturas que
chegaram a 2.000 graus Celsius, de acordo com esse especialista. Para
encontrá-los, segundo o relato dos acontecimentos, foi necessário penetrar uma
camada de combustível sólido que se formou durante o incêndio, que atingiu
quatro tanques com capacidade de 50.000 metros cúbicos cada.
Ainda segundo González
Pérez, não é possível saber se cada um dos 14 grupos de restos ósseos pertence
a cada um dos 14 desaparecidos separadamente. Para chegar a essas conclusões,
Cuba consultou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o presidente da
Associação Internacional de Ciências Forenses, Ángel Carracedo, e especialistas
de diversos países do continente e da Europa, cujos nomes não foram revelados.
O especialista também não esclareceu se houve contato com universidades
estrangeiras com áreas de pesquisa especializadas nesse tipo de reconhecimento
de DNA em fragmentos queimados.
Nesse sentido, o perito forense
salientou que no país “temos toda a tecnologia para qualquer tipo de
identificação”, mas não para eventos “destas características”. A tragédia tem
um saldo provisório de dois mortos e 132 feridos, dos quais 17 permanecem
internados. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, decretou nesta quarta dois
dias de luto oficial a partir desta quinta-feira, 18, em homenagem às pessoas
que morreram no grave incêndio. A bandeira cubana permanecerá hasteada a meio
mastro em sinal de luto até a meia-noite da próxima sexta-feira, 19, dia em que
serão realizados as cerimônias fúnebres. Nesse dia, também acontecerá uma
homenagem no Museu dos Bombeiros de Matanzas.
Por Jovem Pan
*Com informações da EFE

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