Outro participante no crime fugiu
depois de ser extraditado, em 1999, e foi capturado apenas em 2011
Um dos sequestradores do
empresário Abílio Diniz matou o vigilante
de um banco no Chile em abril de 2020, em uma tentativa de assalto. Sergio
Martin Olivares Urtubia, 69 anos, atirou na cabeça de Victor Hugo Illanes Mena,
40 anos, durante a fuga. Ele foi preso no mesmo dia do assassinato.
Mena foi levado para um hospital
de São Bernardo, na Grande Santiago, mas não resistiu aos ferimentos, segundo
informações de jornais e portais chilenos. De acordo com publicações de amigos
nas redes sociais, Mena deixou a mulher e três filhos. Conhecidos fizeram uma
campanha para arrecadar fundos para os familiares do vigilante morto.
Urtubia, de origem chilena,
participou do sequestro de Diniz no Brasil em 1989 ao lado de compatriotas,
argentinos, canadenses e um brasileiro. O crime, que ocorreu há mais de 30
anos, voltou a ser assunto entre brasileiros depois de Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) revelar ter pedido ao então presidente, Fernando Henrique Cardoso, em
1998, a libertação dos criminosos.
“Foram presos em 1989, naquele sequestro do
Abílio Diniz. Esses jovens ficaram presos por dez anos. E houve um momento em
que fui conversar com Fernando Henrique, porque eles [os criminosos]
estavam em greve de fome. Eles iriam entrar em greve seca, em que você fica sem
comer nem beber. Aí, a morte seria certa”, disse o petista, em evento de
pré-campanha à Presidência.
O ex-presidente Lula disse,
então, que cobrou uma postura do então chefe do Poder Executivo. “Falei para o
FHC: ‘Fernando, você tem a chance de passar para a História como um democrata —
ou como um presidente que permitiu que dez jovens, que cometeram um erro,
morram na cadeia. Isso não apagará nunca’.”
‘Não sei onde eles estão
agora’, diz Lula
O ex-presidente petista afirmou
que visitou os sequestradores na cadeia e pediu que parassem com a greve de
fome. Eles concordaram. Alguns foram soltos e outros foram extraditados para
seus países de origem. Ao finalizar o assunto na última sexta-feira, Lula
disse: “Não sei onde eles estão agora”.
Fugitivo foi preso em 2011
Outro chileno que participou do
sequestro do empresário brasileiro, em 1989, escapou em 1999, logo depois de
ser extraditado para o Chile. Hector Collante foi preso pela polícia chilena
apenas em 2011.
Abílio Diniz permaneceu seis dias
sob domínio dos sequestradores. Eles pertenciam a um grupo de guerrilheiros
chamado Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR).
Em entrevista ao Flow
Podcast, Diniz deu detalhes dos seis dias em que permaneceu em cativeiro.
“Na casa em que fiquei tinha um buraco, tipo um porão, e uma escadinha”,
afirmou. “Dentro deste porão eles construíram um caixote grande e me puseram
dentro dele.” Essa caixa tinha uma fechadura e era trancada por fora.
“Fizeram um buraco em cima desse
caixote, puseram um cano e um ventilador do lado de fora”, lembrou. “Esse era o
ar que vinha de fora.” Os criminosos pediram, à época, US$ 30 milhões para
soltar o empresário, que foi solto em 17 de dezembro daquele ano depois de um
cerco policial.

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