Arturo Yescas fez a acusação
durante reunião da Organização dos Estados Americanos
O embaixador da Nicarágua
na Organização dos
Estados Americanos (OEA), Arturo McFields Yescas, se rebelou e acusou o
regime de Daniel Ortega de ser uma ditadura.
“Denunciar a ditadura do meu país
não é fácil, mas continuar em silêncio e defender o indefensável é impossível”
disse Yescas na quarta-feira 23 em uma reunião do Conselho Permanente da OEA.
No vídeo, ele disse que “falava em nome de 177 presos políticos e de mais de
350 mortos desde 2018”.
Ele relatou que no país há
repressão à oposição política, abusos de direitos humanos e a liberdade de
expressão não existe. Também citou casos de presos políticos, fechamento de
organizações não-governamentais e censura, antes de anunciar que deixava o
posto.
“Tenho que falar, ainda que tenha medo, e
ainda que meu futuro e o da minha família sejam incertos”, afirmou ele.
O representante foi nomeado para
o cargo atual em novembro de 2021. Yescas é formado em jornalismo e atua como
diplomata ao menos desde 2011, com passagens por outros postos da missão do
país na OEA.
Palabras del Embajador de #Nicaragua Arturo McFields Yescas al Consejo Permanente de la #OEA pic.twitter.com/cMNiv69CIh
— OEA (@OEA_oficial) March 23, 2022
Em um comunicado, a ditadura
nicaraguense afirmou que “Yescas não nos representa, portanto, nenhuma de suas
declarações é válida”.
Na nota, a Nicarágua assegura que
a pessoa “devidamente credenciada” como representante do país na OEA não é
Yescas, mas o embaixador Francisco Campbell Hooker.
No entanto, no site oficial da
OEA, quem aparece como representante permanente é Yescas, enquanto Iván Lara
aparece como representante suplente. Francisco Campbell, atual embaixador da
Nicarágua nos Estados Unidos, não aparece. Seu filho, Michael Campbell, foi
representante interino da Nicarágua na organização antes da chegada de Yescas.
A Nicarágua é presidida por Daniel
Ortega, de 76 anos, que em sua segunda passagem pela presidência, está no cargo
desde 2007. Nas eleições de 2021, vencidas por Ortega, os candidatos opositores
que poderiam ter uma votação expressiva foram presos antes do pleito e o
processo não foi reconhecido como legítimo pela comunidade internacional.
Antigo revolucionário de
esquerda, Ortega já mandou prender até mesmo seus ex-companheiros da época de
guerrilheiro. A ditadura da Nicarágua acusa os opositores de conspirar com os
Estados Unidos para derrubar o presidente do poder.

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