Em 2020, Alexandre Ramagem foi
impedido por Alexandre de Moraes de assumir a direção da Polícia Federal
O diretor da Agência Brasileira
de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, disse que o Poder Judiciário tem
“excesso de poder” e está “sem controle”. “Estão violando a nossa própria
Constituição”, afirmou.
Em 2020, o delegado foi impedido
pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes de assumir a
direção da Polícia Federal. Ele deve deixar a Abin em breve para disputar uma
vaga na Câmara dos Deputados pelo PL.
“Parece que estão resgatando tudo que o constitucionalismo
lutou contra, que é o absolutismo. Era a época em que o monarca era o Estado,
era as leis e tudo podia”, afirmou.
As declarações foram dadas em entrevista publicada no
sábado 12 no canal no YouTube “Diário da Honra”. Ramagem afirmou que “está
havendo um atropelo de regras e de direitos” por parte do Supremo.
“Está havendo uma concentração de poder muito
grande, isso é inequívoco. Eles estão quebrando a independência e a harmonia
entre os Poderes e a competência de cada Poder.”
O diretor da Abin disse que há um
“excesso” de interferência do Suprema Corte em ações de governo, como na gestão
da pandemia e na decisão que impediu operações policiais nas favelas do Rio
durante a crise sanitária.
“Judicialização, levar à análise
do Judiciário, não pode ser transferência de poder. O Judiciário tem que tomar
medidas para não conhecer tais pedidos, porque são assuntos políticos”,
defendeu.
Ramagem comentou a saída do
ex-ministro da Justiça Sergio Moro, hoje pré-candidato a presidente, do
governo. O ex-juiz da Lava Jato saiu acusando o presidente Jair Bolsonaro (PL)
de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.
“O Moro, no Ministério da
Justiça, primeiro parecia um grande acerto, uma grande esperança. Depois acabou
sendo uma grande decepção. Depois o que se viu foi uma grande traição, uma
deliberada traição, não ao presidente, à sociedade e ao Brasil.”
Mandato de ministros
Ramagem defendeu uma duração
menor dos mandatos dos magistrados e sugeriu uma nova forma de julgar o
trabalho da Corte, sem passar pelo Parlamento, atual responsável por analisar
pedidos de impeachment dos ministros.
“Se um parlamentar federal tem
quatro anos, o chefe do Executivo tem quatro anos, com possibilidade de mais
quatro, então são oito, e um senador tem oito anos. Por que um ministro do
Supremo não pode ter 12 anos?”, questionou.
“A história vai visualizar isso
para frente como um momento terrível da ‘juristocracia'”, afirmou o diretor da
Abin.
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