De acordo com Paulo Filho, o
Kremlin está enfrentando dificuldades para alcançar seus objetivos
Os russos estão enfrentando
dificuldades para vencer a batalha contra a Ucrânia, afirmou o coronel da
reserva Paulo Filho, em entrevista ao
programa Os Pingos nos Is, da rádio Jovem Pan, exibido nesta
terça-feira, 15.
De acordo com Filho, que é mestre
em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Kiev está
cobrando caro os avanços russos. “É difícil imaginar que a Rússia não
vencerá o conflito, mas os ucranianos estão resistindo obstinadamente”,
ressaltou.
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— Entre Rússia e Ucrânia, quem
está vencendo a guerra?
Embora a disparidade de poder
militar seja grande, e a maioria dos analistas esperasse que a Rússia tivesse
mais facilidade para alcançar seus objetivos, na prática, estamos observando
uma pausa nas operações. Aparentemente, os russos precisam se reorganizar,
porque estão com dificuldades logísticas. A Ucrânia tem feito uma defesa
obstinada e está cobrando caro os avanços russos em quatro frentes — norte,
sul, leste e oeste. É difícil imaginar que a Rússia não vencerá o conflito, mas
os ucranianos estão resistindo obstinadamente.
— Qual é a maneira mais
correta de obter informações sobre o conflito?
A primeira vítima de uma guerra é
a verdade. Nos dias atuais, o combate não ocorre apenas no campo da tática, do
terreno, do atrito, do confronto. Isso também acontece no campo informacional.
Os dois lados criam uma narrativa e querem fazer valer suas versões. Moscou
afirma que a Ucrânia é governada por nazistas que promovem o genocídio de uma
minoria russa no país. O lado ucraniano, por sua vez, diz sofrer ataques
covardes. Isso é verdade, mas também há um exagero. Faz parte da guerra de
informação.
— Como funciona a tática
blitzkrieg?
É uma doutrina criada pelos
alemães na Segunda Guerra Mundial. Baseia-se no emprego dos carros de combate,
das tropas blindadas e da aviação. Isso serve para ganhar velocidade nas
operações militares. É assim que funciona a blitzkrieg. No conflito entre
Rússia e Ucrânia, essa tática foi interrompida. O desafio logístico que os
russos estão enfrentando é muito grande. Para andar 50 quilômetros com seus
tanques, a Rússia gasta aproximadamente 5 milhões de litros de combustível por
dia. Imagine como é levar tudo isso para o campo de batalha. A outra forma de
avançar contra o inimigo é pelo fogo, pelo bombardeio, pelo lançamento de
mísseis.
— Todo o arsenal militar russo
pode ser usado nesse conflito?
Os russos não empregaram todo seu
poderio militar. Eles possuem uma bomba, chamada termobárica, que tem um efeito
devastador. Ainda não houve comprovação efetiva do uso dessa arma. Outro
armamento polêmico são as bombas clusters. Essas, sim, foram utilizadas. Sem
falar no armamento nuclear. A Rússia consegue exercer a estratégia da dissuasão
perfeitamente. Em termos práticos, isso significa que um país consegue se
mostrar forte o suficiente para evitar as ações do inimigo. Por ter um arsenal
nuclear, a Rússia dissuade a Organização do Tratado do Atlântico Norte [Otan]
de entrar no combate.
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