A função essencial da estatal desde sua fundação tem sido servir aos interesses materiais dos políticos que controlam o governo
A alta desesperada dos preços internacionais do petróleo, por conta da guerra entre Rússia e Ucrânia, chamou as atenções para uma questão puramente brasileira: qual a vantagem que a população leva numa hora dessas pelo fato de ser dona, na lei e na teoria, de uma empresa petrolífera estatal? Dez entre dez analistas políticos levariam o resto da vida debatendo a questão para, ao fim, não oferecer nenhuma resposta coerente. Fica mais prático, então, responder da maneira mais simples, e com base nos fatos: a população não leva vantagem nenhuma. O preço da gasolina e do diesel, na bomba do posto, continua o mesmo, sendo o cidadão dono da estatal ou não sendo. Se fizerem algum truque para não aumentar, vão ter de achar dinheiro para cobrir a diferença entre o preço real e o preço que inventaram. Esse dinheiro é seu mesmo: é aquilo que você paga em impostos. Vão tirar de um bolso o que estão colocando no outro.
A ideia de uma empresa estatal
como a Petrobras, num país com os usos e costumes políticos do Brasil, é, antes
de tudo, um absurdo. Essas coisas podem dar certo na Noruega, ou algo assim,
onde o lucro da estatal do petróleo é entregue diretamente à população, em
dinheiro, sem conversa fiada, no prazo certo, dentro de um sistema transparente
e compreensível para todos. Mas, aqui, empresa estatal não é empresa pública
nem pertence de verdade aos acionistas; os acionistas, aliás, não passam nem da
porta de entrada do prédio-sede. Tudo é propriedade privada dos que mandam no
governo. Há pouco era propriedade do ex-presidente Lula e do PT. Nunca uma empresa
foi tão roubada na história – e nunca houve roubo tão bem comprovado, com
confissões assinadas dos que roubaram e até devolução de parte do dinheiro
roubado.
Esta tem sido a função essencial
da Petrobras, desde sua fundação há quase 70 anos: servir aos interesses
materiais dos políticos que controlam o governo e a vida pública deste país. É
verdade que, em seu último surto de roubalheira, a Petrobras chegou a extremos.
Que empresa privada do mundo compraria, por exemplo, a refinaria americana de
Pasadena, um amontoado de ferro velho imprestável? Que empresa privada
construiria uma refinaria de petróleo em sociedade com a Venezuela de Hugo
Chávez, que jamais cumpriu sua parte no negócio e deixou a Petrobras com uma
fatura de US$ 20 bilhões a pagar?
Esse dinheiro, num caso, no outro
e em todos os demais, não foi pago “pelo governo”. O governo não tem um tostão.
Quem pagou foi o cidadão brasileiro, e o mais pobre pagou mais – como sempre
acontece quando uma conta é dividida por igual entre todos. Mas, mesmo em
condições normais, sem corrupção nenhuma, a Petrobras é um atraso de vida.
A única estatal boa é a estatal
que não existe.
J.R. Guzzo
(Publicado no Estadão, em
20 de março de 2022)
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