Na Suécia, a apresentação do passaporte da vacina
é obrigatória em locais fechados com mais de 50 pessoas.
Fredrik PERSSON / TT News Agency / AFP
Movimentos são caracterizados
pelos pedidos de liberdade e por críticas aos ‘passaportes de vacina’,
documentos exigidos em alguns locais para comprovar a imunização contra a
Covid-19
Em novembro de 2021, uma nova variante do coronavírus impôs um revés aos países europeus que transitavam para o “pós-pandemia”. O surgimento da Ômicron fez com que diversos governos recrudescessem as medidas de combate à Covid-19 e a alta transmissibilidade da nova cepa mostrou a necessidade de se avançar ainda mais com as campanhas de vacinação pelo mundo. Em muitos países, a solução encontrada foi a exigência de um “passaporte da vacina” para a entrada em estabelecimentos. O documento é uma forma rápida de se comprovar que uma pessoa completou o esquema vacinal contra a doença. A medida, no entanto, desagradou movimentos da direita pelo mundo. Entoando gritos de “liberdade”, manifestantes se opuseram à obrigatoriedade da vacina. Muitos usaram a oportunidade para desacreditar os imunizantes em si. Em quase todos os países, os atos se tornaram políticos. Na América do Norte, por exemplo, os protestos convergiram para críticas aos governos. Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, e Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, foram alguns dos alvos de manifestantes. Na França, a oposição de Macron se aproveitou para atrair a atenção da população às vésperas das eleições presidenciais. Na Suécia, Alemanha e Canadá, neonazistas se infiltraram nos protestos. Veja como os protestos têm acontecido ao redor do mundo.
- Canadá
Caminhoneiros do Canadá se
mobilizaram no final de janeiro contra a exigência de passaporte da vacina
contra a Covid-19 para atravessar a fronteira com os Estados Unidos. No início
do mês, o país começou a exigir que os caminhoneiros não vacinados ficassem em
quarentena por 14 dias após chegarem dos EUA. Apesar do governo estimar que
menos de 15% dos motoristas não se imunizaram contra a doença, a medida
desagradou a categoria, que realizou protestos em Ottawa, capital do Canadá.
Além dos caminhoneiros, outros milhares de manifestantes se juntaram ao
“Comboio da Liberdade”, e logo os atos se transformaram em pedido para
revogação de todas as medidas restritivas para contenção do coronavírus e pela
derrubada do governo de Justin Trudeau. Os
atos foram marcados por polêmicas como o levantamento de bandeiras e placas com
suásticas e danças no túmulo de um soldado canadense. Em pronunciamento sobre
os atos, o presidente do Canadá definiu as manifestações como uma “minoria
marginal”. A revolta contra Trudeau fez com que ele e sua família tivessem que
ser escoltados para um lugar não revelado.
- Estados Unidos
Em 23 de janeiro, milhares de
manifestantes de todos os cantos do país se reuniram em Washington. O movimento
se concentrou na capital em virtude da exigência de passaporte da vacina para
entrada em alguns estabelecimentos como restaurantes, casas de show, teatros e
academias no distrito. Saindo do memorial de George Washington, os
manifestantes marcharam até chegarem ao memorial Abraham Lincoln, onde
discursos foram feitos pelos organizadores, muitos deles médicos. “A
obrigatoriedade e as liberdades não são compatíveis. São como óleo e água”,
disse um dos oradores aos presentes. Alguns deles carregavam bandeiras em
defesa do ex-presidente Donald
Trump e contra Joe
Biden. O protesto contra a “tirania” da obrigatoriedade das vacinas no
país rapidamente se tornou um protesto contra os imunizantes.
Suécia
Na Suécia, cerca de 9 mil pessoas
se reuniram na capital Estocolmo no dia 22 de janeiro para protestar contra o
passaporte da vacina. A apresentação do certificado para entrar em locais
fechados com mais de 50 pessoas é obrigatória para os cidadãos suecos desde 12
de janeiro. Durante o protesto, os presentes entoavam cantos dizendo: “Não ao
passaporte da vacina, sim à liberdade”. O grupo marchou pelas ruas da capital
em direção à praça Sergel sob liderança do Movimento da Liberdade. Um outro ato
aconteceu em Gotemburgo, a segunda maior cidade da Suécia, reunindo 1.500
pessoas. Alguns manifestantes se juntaram ao movimento neonazista de
resistência nórdica, conhecido no país pela sua violência.
- França
- Pessoas participam de uma manifestação liderada
- pelo partido de direita ‘Les Patriotes’ contra o
- passaporte da vacina
Antes mesmo da lei que prevê a
implementação de restrições mais rígidas a pessoas não vacinadas contra a
Covid-19 ser aprovada na França, manifestantes se mobilizaram para dizer não às
medidas. Desde 8 de janeiro, milhares saíram às ruas pedindo a não implantação
do passaporte da vacina. O Ministério do Interior estimou que 105,2 mil pessoas
participaram dos atos no dia 8. Os movimentos foram impulsionados pela fala do
presidente Emmanuel
Macron, que, no início de janeiro, declarou: “Para os não vacinados,
quero muito irritá-los. E vamos continuar fazendo isso, até o fim. Essa é a
estratégia.” Alguns dos manifestantes, inclusive, foram convocados pelo
candidato presidencial de extrema-direita Florian Philippot. Apesar das
movimentações, o governo não cedeu. Em 24 de janeiro, a exigência do passaporte
da vacina para a entrada de maiores de 16 anos em locais como cinemas,
restaurantes e trens se tornou obrigatória. Anteriormente, os não vacinados
podiam entrar nos estabelecimentos mostrando apenas o resultado negativo de
testes de detecção da Covid-19.
- Bélgica
Bruxelas, a capital da Bélgica,
foi inundada por protestos contra a nova medida do primeiro-ministro Alexander
De Croo, que determinou que toda a população belga deveria tomar a dose de
reforço após cinco meses do esquema vacinal para manter os seus passaportes de
vacina para frequentarem bares, cinemas e outros espaços públicos no país. Em
23 de janeiro, os movimentos contra a medida reuniram 50 mil pessoas em
Bruxelas e ganharam os tabloides do mundo pela violência. Os confrontos
eclodiram quando a polícia decidiu usar canhões de água e gás lacrimogêneo para
repelir os manifestantes, que arremessaram pedra e fogos de artifício perto da
sede da Comissão Europeia. Segundo a polícia, mais de 60 pessoas foram presas
neste dia.
- Alemanha
- Alemães protestam contra medida do governo de
- tornar obrigatória a vacina contra a Covid-19
Em um discurso no parlamento
alemão, o chanceler Olaf
Scholz defendeu a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19
visando aumentar a taxa de imunizados no país. A fala do primeiro-ministro
desencadeou uma série de protestos. Semanalmente, dezenas de milhares se
mobilizam em marchas em cidades e vilarejos da Alemanha contra a medida. No dia
11 de janeiro, o Ministério do Interior contabilizou a presença de 188 mil
pessoas. A maioria não condena apenas o mando de vacinação, mas os próprios
imunizantes – o país tem a maior parcela de não-vacinados entre as grandes
nações da Europa Ocidental. Grande parte do centro de gravidade dos atos
permaneceu concentrada na extrema-direita, dando novo impulso ao partido AfD.
Alguns protestos contaram, inclusive, com a presença de grupos neonazistas, o
que acendeu um alerta sobre a radicalização do movimento.
Por Jovem Pan
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