O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira, 1º, que o governo avalia quais impostos poderão ser “moderadamente reduzidos” na PEC dos Combustíveis a ser enviada ao Congresso Nacional.
Em evento virtual sobre a
economia brasileira realizado pelo banco Credit Suisse, Guedes se
colocou contra, no entanto, a possibilidade de se criar um fundo para subsidiar
o preço da gasolina.
“Uma primeira versão falava em R$ 120 bilhões,
três vezes o que era o Bolsa Família. É mais fácil erradicar pobreza do que
subsidiar gasolina”, disse.
“Estamos estudando isso com muita
moderação. Olhando exatamente para que impostos poderiam ser moderadamente
reduzidos. Pode ser que um sobre diesel possa avançar um pouco mais, mas sobre
gasolina, afinal de contas, se estamos em transição para uma economia verde. Se
estamos em transição justamente para a OCDE, para uma economia digital, será
que deveríamos estar subsidiando gasolina?”, declarou.
Ontem, após reunião com Guedes, o
presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL),
afirmou que a PEC dos Combustíveis deve abranger somente a tributação do óleo
diesel.
ICMS
Segundo o ministro, a proposta
seria “autorizativa”, com a adesão de estados para, entre outras medidas,
reduzir as alíquotas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS). Como contrapartida, o governo também reduziria impostos federais
incidentes sobre o produto.
“Se quiserem reduzir o ICMS,
reduzam o ICMS para o Brasil girar melhor em cima do diesel. Por outro lado, se
o governo federal também for autorizado; nós arrecadamos em torno de R$ 17
[bilhões], quase R$ 18 bilhões/ano de diesel; poderíamos reduzir um pouco isso
aí também”, acrescentou.
O ministro disse ainda que o
problema é político e citou projeto aprovado na Câmara que estabelece um valor
fixo para a cobrança de ICMS sobre combustíveis.
Atualmente, o imposto estadual é
calculado como um percentual do preço final. Isso faz com que flutue conforme
os preços nas bombas, subindo quando a Petrobras reajusta os valores nas
refinarias e baixando, quando ocorre o contrário.
O projeto obriga estados e o
Distrito Federal a especificar a alíquota cobrada do ICMS de cada produto pela
unidade de medida adotada (litro, quilo ou volume), e não mais sobre o valor da
mercadoria, como ocorre atualmente. A proposta aguarda análise do Senado.
“Se eles acharem que tem de
limitar o ICMS, e sair de ad valorem [percentual conforme o
valor da mercadoria] para ad rem [valor fixo] e limitar, em vez de
ser 34%, que seja 25%, 20%. É um problema político, eu não entro nessa
discussão. Agora que é bem-vindo, em vez de pensar só em teto de gasto, pensar
em teto de imposto, eu gosto da ideia”, afirmou.
Impasse
Os sucessivos aumentos no preço
dos combustíveis geraram queda de braço entre o governo federal e os Estados.
Por diversas vezes ao longo do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro
atribuiu aos estados parte da responsabilidade pelos aumentos dos combustíveis.
O governo federal defende que o ICMS seja cobrado como um preço fixo por litro,
como ocorre com os tributos federais.
Recentemente, os secretários de
estaduais de Fazenda aprovaram, durante reunião do Comitê Nacional de Política
Fazendária (Confaz) a prorrogação até 31 de março, do congelamento ICMS dos
combustíveis que terminaria em 31 de janeiro.
Contudo, os governadores afirmam
que o congelamento não é suficiente e argumentam que os elementos centrais dos
aumentos dos combustíveis são a “variação do dólar e a política da Petrobras de
paridade com o mercado internacional do petróleo”.
Como solução, os Estados defendem
a criação de um fundo de estabilização dos preços dos combustíveis, que
evitaria repasses ao consumidor. Durante o evento desta terça-feira, Guedes manifestou-se
contra a criação de um fundo. Segundo o ministro, mais de 80% dos fundos de
estabilização de outros países “deram errado”.
Com informações da Agência
Brasil
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!