Em um novo capítulo da escalada de repressão perpetrada pela ditadura cubana, centenas de manifestantes detidos nos protestos realizados em julho do ano passado estão sendo submetidos a ritos sumários em julgamentos que determinam penas de até 30 anos de prisão em regime fechado.
Nesta semana, promotores de Cuba
levaram aos tribunais do país — que passam longe de qualquer tipo de
independência em relação à ditadura comunista — mais de 60 cidadãos acusados
por uma série de crimes, entre os quais “subversão”. Na verdade, eles se
tornaram réus simplesmente por terem participado das enormes manifestações
contra o governo, duramente reprimidas pelo regime em 2021.
Entre as pessoas processadas, há
pelo menos cinco menores de idade. Ao todo, são mais de 620 pessoas presas que
estão sendo julgadas ou devem ir a julgamento nas próximas semanas.
O governo do ditador Miguel
Díaz-Canel espera, com o cerco judicial e a gravidade das acusações criminais
contra os manifestantes, inibir outros protestos. Segundo o ator e ativista
Daniel Triana, detido no ano passado, “o que reina em Cuba é o império do
medo”. “Aqui a repressão não mata diretamente, mas força as pessoas a optar
entre a prisão e o exílio”, disse ao jornal The New York Times.
Compartilhadas amplamente pelas
redes sociais, fotos e imagens das manifestações de julho de 2021 ganharam
repercussão mundial e representaram o maior movimento de insatisfação popular
na ilha desde a ascensão dos comunistas ao poder, em 1959. Os manifestantes
clamam por liberdade e abertura econômica e criticam a concentração de poder e
as mazelas sociais resultantes do desastroso regime.
A ditadura cubana, inicialmente
pega de surpresa, não demorou para reagir com a maior repressão em décadas,
convocando o Exército para esmagar os protestos. Mais de 1,3 mil cidadãos foram
presos, de acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Cubalex
e a entidade Justice J11.
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