O presidente Jair Bolsonaro falou com a imprensa após receber alta nesta quarta-feira, 5, d0 Hospital Vila Nova Star, na Zona Sul de São Paulo. O chefe do Executivo estava internado desde a última segunda-feira, 3, com um quadro de obstrução intestinal. Segundo o médico Antônio Luiz Macedo, o quadro ainda é um desdobramento do atentado sofrido por Bolsonaro em 2018, quando o presidente recebeu uma facada durante a campanha eleitoral em Juiz de Fora, Minas Gerais. Ao ser questionado sobre a veracidade do incidente, Bolsonaro assegurou que a facada foi real e negou que a internação tenha objetivo político.
“Querem politizar uma tentativa
de homicídio. As imagens mostram a faca entrando e tem um brilho dela quando
sai. Falar que isso é uma faca fake? O pessoal tem dúvida, alguns dizem que
seria armação da minha parte. A faca entrou e, na hora, alguns falaram que não
sangrou, mas uma facada nessa região não sangra porque vai tudo para dentro”,
explicou o presidente. “Estava previsto para eu retornar na terça-feira a Brasília,
mas vim parar aqui. Agora, querer levar para o lado da politização, que estou
vitimizando, está de brincadeira comigo. Nós temos muito a zelar”, acrescentou
Bolsonaro, que defendeu o trabalho de Macedo. “Eu fui um candidato paupérrimo,
pobre, miserável. Se eu quisesse armar, iria armar em cima do hospital Albert
Einstein? Do hospital de Juiz de Fora? Pelo amor de Deus”, afirmou o chefe do
Executivo.
Bolsonaro ainda criticou as
investigações sobre o atentado pela Polícia Federal. “Três advogados
imediatamente chegaram lá [em Juiz de Fora]. Um, inclusive, com avião
particular. Uma pessoa tentou entrar na Câmara com o nome do Adélio como álibi.
Da pousada, duas pessoas já morreram. Está muito parecido com Celso Daniel”,
avaliou o presidente. “O delegado que estava no caso saiu, está indo para o
exterior. O processo foi reaberto, e espero que a PF aprofunde mais, porque
conseguimos agora adentrar nos telefones dos advogado [de Adélio]. Não foi da
cabeça dele. No meu entender, não está difícil de desvendar esse caso. Vai
chegar em gente importante, com toda certeza. Não há dúvida da tentativa de
homicídio”, completou. O presidente Bolsonaro ainda acrescentou que as eleições
de 2022 serão “limpas” e que os votos serão “contados”. “As Forças Armadas
foram convidadas pelo ministro Barroso para participar das eleições. Aceitamos
para participar de todo o processo, sem exceção.”
Quadro de saúde do presidente
pós-facada
O médico-cirurgião aproveitou o
momento para cumprir os colegas da Santa Casa de Juiz de Fora que realizaram a
primeira cirurgia de Bolsonaro e explicou o quadro de saúde do chefe do
Executivo. “O presidente sofreu um atendo há anos atrás que originou uma
cirurgia muito bem feita pelos profissionais que o atenderam em Juiz de Fora.
Mas, depois disso, ele teve uma peritonite, em 12 de setembro, alguns dias
depois do atentado, que gerou uma grande reação imunológica no abdômen dele”,
detalhou Macedo. Essas aderências acabam por possibilitar o quadro de obstrução
intestinal. Segundo o especialista, normalmente os médicos não operam direto
nesses casos e optam por seguir com um tratamento clínico.
“A cirurgia foi descartada
porque, depois que foi passada a sonda nasogástrica para descomprimir o
estômago, grande volume de líquido saiu do órgão, que ficou vazio. Então o
peristaltismo retornou e empurrou aquele bolo que estava parado no lado
esquerdo do intestino, onde tem mais aderência”, acrescentou. Macedo afirmou
que na terça-feira de madrugada, quando chegou ao Brasil para tratar o
presidente, o intestino do presidente estava voltando a funcionar. “No dia
seguinte, já estava bem. Agora vai fazer dieta especial por uma semana, vai
fazer apenas caminhadas, sem exercícios intensos. Mas ele está curado e pronto
para o trabalho”, disse o médico. Apesar disso, ele salienta que ainda há
chance do presidente voltar a sofrer com obstrução intestinal. “Temos chance de
ter novamente? Temos. Se operar, como a barriga ele é muito inflamada, existe
chance de aderir novamente em outro lugar e obrigar uma outra cirurgia”,
finalizou.
Por Jovem Pan
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