
O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o ministro
Luís Roberto Barroso | Foto: Reprodução/YouTube
Presidente utilizou-se de live realizada
nesta quinta-feira, 5, para esclarecer as questões relacionadas ao voto
‘impresso’
O presidente Jair Bolsonaro utilizou-se
de live realizada nesta quinta-feira, 5, para esclarecer as
questões relacionadas ao voto “impresso”. O assunto aqueceu o
debate público porque ontem, quarta-feira 4, o deputado federal Filipe Barros
(PSL-PR), relator da proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto auditável
na Comissão Especial da Câmara, tornou pública a informação de que o Tribunal
Superior Eleitoral admitiu, em relatório enviado à Polícia Federal, invasões
indevidas do sistema eleitoral brasileiro.
Explicação sobre as urnas
auditáveis
Segundo Bolsonaro, o ministro
Luís Roberto Barroso mente ao afirmar que a instauração do voto “impresso” nas
eleições representaria um retrocesso. Desde novembro de 2020,
o ministro da mais alta Corte brasileira mostrava-se contrário à substituição
das urnas eletrônicas de primeira geração. “O eleitor não levará papel algum
para casa”, explicou Bolsonaro. “Barroso sabe que está mentindo, não está
falando a verdade.”
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O presidente explica que os
eleitores não terão acesso ao papel, de maneira que não será possível sair das
seções eleitorais com a comprovação do voto em mãos. “A impressora mostra, por
meio de uma placa transparente, o voto do cidadão em papel”, disse. “Caso a
pessoa concorde com o voto registrado, basta apertar um botão para o papel cair
em um saco de lona, que será aberto apenas depois do término das eleições.”
De acordo com Bolsonaro, os
pleitos continuarão a ser apurados de forma eletrônica — com a diferença de
que, se o voto “impresso” for instaurado nas eleições brasileiras, também
haverá a contagem pública dos votos. “Esse modelo de apuração é feito nos
países sérios”, asseverou. “Aqui, na América do Sul, o Paraguai adota esse
sistema. Ninguém vai levar para casa o papel, não será possível vender o voto.
Isso não existe.”
O chefe do Executivo federal
afirma que a contagem pública dos votos não pode ser menosprezada, porque
possibilita a realização de eleições cristalinas. “Será que é demais pedir
eleições democráticas, transparentes, com a contagem pública dos votos?”,
perguntou. “Sempre me falaram que a democracia não tem preço. Temos recursos
para viabilizar o voto impresso — já conversamos com o Ministério da Economia
sobre isso.”
Para reforçar a importância da
instauração das urnas auditáveis nas eleições brasileiras, Bolsonaro ampara-se
em relatórios produzidos Polícia Federal e pelo próprio Tribunal Superior
Eleitoral, que mostravam a impossibilidade de realizar, de maneira
satisfatória, a auditoria do processo entre a votação do eleitor e a
contabilização do voto, no boletim de urna. “Vamos acreditar na Polícia Federal
ou no ministro Barroso?”, perguntou.
Embate com Luís Roberto
Barroso
Segundo Bolsonaro, não há motivos
para desqualificar o ministro Luís Roberto Barroso, embora haja discordâncias
entre ambos. “Sabemos que ele é antagônico à minha pessoa. Reconhecemos as
posições dele enquanto ministro, suas votações”, afirmou. “Ele tem direito de
se expressar, criticar, elogiar. Sabemos que ele deve favores ao PT, que foi
advogado do terrorista Cesare Battisti, defendendo-o como se fosse uma pessoa
inocente, um preso político.”
Por causa desse contexto, o
presidente da República argumenta também ter o direito de criticar as posições
do ministro do Supremo. “Não concordo com algumas das decisões do Barroso”,
revelou. “Sabemos que o ministro é favorável ao aborto, à legalização das
drogas e à diminuição da maioridade penal, mas não tem problema. Eu apenas não
concordo. Ou sou obrigado a concordar com as posições dos ministros do Supremo,
do STJ?”
Bolsonaro diz respeitar a
consideração que o ministro Luís Roberto Barroso tem pelo ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, mas adverte que o magistrado não pode interferir nas
decisões do Parlamento. “Por que o Barroso não quer lisura nas eleições? Por
que não quer o voto verdadeiramente democrático? Por que não quer a contagem
pública dos votos? O que está acertado para as eleições de 2022? Isso nos deixa
com dúvidas.”
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