
Policiais militares do Distrito FederalVinicius de Melo.
Agência Brasília
Cerca de R$ 10 milhões serão
usados na promoção de PMs e em reforços na segurança para ato bolsonarista
Diante da ameaça de um
quebra-quebra nas ruas de Brasília no dia 7 de Setembro, data da
manifestação bolsonarista, o governo do Distrito Federal decidiu liberar mais
de R$ 10 milhões para conter a insatisfação da Polícia Militar, um dos
alicerces do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
O valor será usado, neste ano, na
abreviação do tempo de promoções de mais de 2,4 mil policiais, que são os mais
bem pagos do país. Um outro montante de menor valor, ainda sem previsão, será
gasto no esquema de segurança.
Ao longo da semana, o clima no
Congresso e nos tribunais superiores foi de tensão e temor por causa de
possíveis atos de vandalismo na capital federal.
O Centro Integrado de Operações
de Brasília (Ciob), que monitora eventos públicos, trabalha na definição de
estratégias de segurança de autoridades e dos locais públicos da região central
no dia da manifestação.
As providências tratadas envolvem
reforço de agentes no entorno do Supremo Tribunal Federal (STF) –
principal alvo de ataques de Bolsonaro e de seus apoiadores – e do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) e o fechamento da Praça dos Três Poderes, onde
fica a sede da Corte.
O trânsito deverá ser interditado
na Esplanada dos Ministérios, que dá acesso à praça. Em grandes manifestações
anteriores, pelo menos mil policiais foram mobilizados, incluindo equipes de
atiradores especiais que costumam se posicionar nas coberturas dos prédios.
A disposição da PM do Distrito
Federal para agir com firmeza contra eventuais bolsonaristas radicais é vista
com desconfiança no Supremo, na Câmara e no Senado, já que o governador Ibaneis
Rocha (MDB) é alinhado a Bolsonaro.
Bolsonaro pretende discursar pela
manhã, em Brasília, e seguir com uma comitiva para fazer o mesmo em São Paulo,
à tarde. Autoridades temem um ataque semelhante ao que ocorreu no
Capitólio, nos EUA, e dizem que o principal anteparo só poderá ser feito pela
PM comandada por Ibaneis.
Ibaneis assinou o decreto das
promoções na semana passada. Agora, em vez de 53 promoções de policiais, em
2021, serão 2.495, de praças a oficiais, sem contar os bombeiros.
A medida representa um incremento
salarial de pelo menos R$ 200 a policiais já com a maior faixa de renda entre
todas as unidades da Federação. Metade da tropa ganha pelo menos R$ 10,8 mil,
segundo dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública.
Para a assinatura do decreto das
promoções, Ibaneis reuniu secretários, deputados distritais e federais e até a
ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda.
“Estive com os governadores e
todos mostrando muita preocupação com os eventos do 7 de Setembro, que se
anunciam muito difíceis. Eles estão preocupados com a insurreição das tropas.
Eu disse de forma muito tranquila: aqui no DF não temos esse problema.”
‘Demandas da corporação’
Presidente do Clube dos Bombeiros
Militares do Distrito Federal, o subtenente Jair Dias minimizou a assinatura do
decreto às vésperas dos atos de 7 de Setembro. “Acredito que ele (Ibaneis)
alinhou o corpo técnico e as demandas da corporação”, afirmou Dias. “A medida é
vista pelos militares de uma forma muito positiva.”
Em nota, a Secretaria de
Segurança Pública do DF afirmou que realizar manifestação é direito
“fundamental” expresso na Constituição. “Toda medida adotada pela Secretaria de
Segurança Pública obedece à legislação, que visa assegurar o direito de
manifestação e de reunião, a ordem pública e a segurança e integridade dos
manifestantes e do patrimônio público.”
Vinícius Valfré do Estadão Conteúdo
As informações são do jornal O
Estado de S. Paulo.
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