Primeira-dama
sobreviveu aos disparos, segundo Claude Joseph. Suspeitos falavam espanhol, mas
ainda não foram identificados
Presidente do Haiti, Jovenel Moïse, foi morto a tiros dentro
da própria casa. JEAN MARC HERVE ABELARD/EFE
O presidente do Haiti, Jovenel Moïse, foi assassinado dentro da própria casa na madrugada desta quarta-feira (7), de acordo com o premiê do país, Claude Joseph. A informação foi confirmada pelas agências internacionais Reuters, EFE e AFP.
Segundo o
premiê, o ataque foi feito por um grupo de indivíduos que ainda não foi
identificado, mas alguns dos envolvidos estavam falando espanhol.
A
primeira-dama, Martine Marie Etienne Joseph Moïse, também foi baleada, mas
sobreviveu. Joseph repudiou o "ato odioso, inumano e bárbaro" e pediu
calma. "Todas as medidas para garantir a continuidade do Estado e proteger
a Nação foram tomadas. A democracia e a República vão vencer", afirmou.
O país passa
por uma intensa crise política e econômica. Desde 2018, milhares de haitianos
marcham pelas ruas do país e pedem melhores condições de vida. Os protestos
começaram depois do aumento do preço da gasolina, em 2018, e causaram a
renúncia do então primeiro-ministro, Jack Guy Lafontant.
Neste ano, os
protestos pediam a renúncia de Moise, um empresário do setor da banana que
chegou ao cargo sem experiência política.
Novas
eleições
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| A mulher do presidente também foi baleada, mas sobreviveu ao atentado. CHANDAN KHANNA/AFP – 07.01.2020 |
Ontem, o
recém-nomeado e novo primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, garantiu que sua
prioridade seria a preparação das eleições, que devem ocorrer em um
"ambiente favorável", evento que parece remoto diante da atual instabilidade
neste país caribenho.
“Minha missão é
simples. O presidente me instruiu a criar um ambiente propício à organização de
eleições inclusivas, com alta participação”, disse ele em entrevista exclusiva
por telefone à AFP.
Jovenel Moïse
havia nomeado o médico Ariel Henry como primeiro-ministro na segunda-feira (5).
Henry é o sétimo a ocupar o cargo em 4 anos. “Hoje trabalho na formação do meu
governo”, sublinhou o novo premiê, que ocupará o lugar de Joseph, nomeado em
meados de abril.
O Haiti, a
nação mais pobre do continente americano, é atormentado pela insegurança,
especialmente por sequestros de resgate realizados por gangues. O presidente
Moïse, que era acusado de inação diante da crise, enfrentava forte desconfiança
de grande parte da população civil.
Nesse contexto,
gerando temores de uma virada para a anarquia generalizada, o Conselho de
Segurança da ONU, os Estados Unidos e a Europa já consideravam a realização de
eleições legislativas e presidenciais livres e transparentes como uma
prioridade até o final de 2021.
O presidente
tinha estabelecido como objetivos "formar um governo aberto",
"resolver o flagrante problema da insegurança" e trabalhar "pela
realização das eleições gerais e do referendo", disse Henry.
Este referendo
constitucional, inicialmente previsto para 27 de junho e posteriormente adiado
em meio à crise, era promovido por Moïse, mas amplamente contestado pela
oposição. O presidente era acusado de desrespeitar as disposições da
Constituição em vigor.
AFP, Reuters e EFE

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