
Yang Wanming
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo
consegui ver pelo Google, não ganhou devido destaque na mídia militante
brasileira a frase mal educada e irreverente de Yang Wanming, Embaixador da
China. O embaixador atingindo as crenças da imensa maioria da população
brasileira, fez uma afirmação que soa absurda e hipócrita para quem conhece o
comunismo chinês e a situação das religiões no país e no Tibet.
Assim tuitou o
sr. Yang:
"Quem é
Deus? O Povo é Deus, é o povo que faz a história e determina a história."
Para o
jornalismo mais praticado hoje no Brasil, que só tem um alvo e um objetivo,
esse é um não assunto. Então, vejamos. A Constituição chinesa afirma:
"A
República Popular da China é um Estado socialista subordinado à ditadura
democrático-popular da classe operária e assente na aliança dos operários e
camponeses. O sistema socialista é o sistema básico da República Popular da
China. É proibida a sabotagem do sistema socialista por qualquer organização ou
indivíduo."
Em sequência,
repete, várias vezes, que:
"Sob a
égide do Partido Comunista da China e a inspiração do marxismo-leninismo e do
pensamento Mao Zedong, o povo chinês de todas as nacionalidades continuará a
aderir à ditadura democrático-popular e a seguir a via socialista (...)."
Desnecessário
explicar que ditadura é ditadura, por mais que se acrescente o refrão
“democrático-popular” tentando adocicar o que é por natureza amargo. Para que
não haja dúvida do caráter não democrático dessa ditadura basta afirmar que só
há um partido político na China, não existindo, por consequência, espaço para
qualquer forma efetiva de oposição política. Já o caráter efetivamente
comunista desse “socialismo” se afirma e reafirma no nome do partido, na
confessada inspiração tanto no marxismo-leninismo quanto em Mao Zedong.
Com tais
influxos filosóficos e sob uma ditadura com esse perfil, cabe indagar, aparte a
grosseria de dar publicidade a tal pensamento na imprensa do país que o
hospeda: que espécie de Deus pode ser o povo submetido a uma ditadura? Nas
condições em que se descreve a realidade chinesa – inclusive quanto a
perseguição religiosa - a única divindade institucionalmente reconhecida na
ditadura chinesa é o Partido. O Deus do embaixador é esse supressor de
liberdades e do direito à vida, juiz supremo e caricato salvador, que exige
para si uma fé não religiosa, não amorosa, não salvífica, cujo nome real é
servidão.
Jornal da
Cidade Online
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