O DIA teve
acesso a inquérito que aponta exploração de venda ilegal de gás e de serviços
de internet na ilha carioca
Rio - Na
pacata ilha de cerca de 4,5 mil habitantes, a presença do policiamento tem
chamado atenção. A rotineira ação de PMs realizando patrulhamentos em Paquetá,
passou a se fazer necessária não só para garantir a tranquilidade, mas também
para combater o crime. Investigações da 5ª DP (Mem de Sá) apontaram que
narcomilicianos estariam se instalando na região. O DIA teve acesso ao
inquérito que mostra que assim como fazem nos demais bairros cariocas, os
criminosos estariam monopolizando atividades comerciais e extorquindo moradores
e comerciantes.
Ao longo de
quatro meses de trabalho, a distrital descobriu que os narcomilicianos, ligados
à facção Comando Vermelho (CV), passaram a agir em Paquetá no ano passado,
explorando a venda ilegal de gás, fornecimento de água potável e serviços de
internet. A ilha fica localizada no meio da Baía de Guanabara, a 17 quilômetros
de distância do Centro do Rio.
"Tem uma
milícia sendo constituída lá. A questão da venda de gás, por exemplo,
descobrimos que eles estão monopolizando a atividade. Estão querendo obrigar
que os comerciantes tradicionais a comprarem de um depósito indicado por eles,
para conseguirem lucrar ilegalmente com o comércio. Com isso, eles estão
ameaçando essas pessoas e querendo obrigá-las a pagar uma taxa", explicou
o delegado Bruno Gilaberte, titular da 5ª DP.
A polícia ainda
investiga se a exploração dos serviços de internet na Ilha de Paquetá está
sendo realizada através de uma empresa que tem como sócio oculto uma antiga
liderança do Comando Vermelho no Estado do Rio.
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As
investigações também revelam que os bandidos têm agido de forma violenta e
coagindo suas vítimas a denunciarem seus abusos. Segundo o relatório policial,
a associação criminosa local, liderada por um homem identificado apenas como
Pierre, vem constrangendo os moradores da região, que temem represálias.
Testemunhas que temem se identificar contaram aos agentes que o suspeito é
conhecido por ser 'dono' de Paquetá e insinua estar armado.
Aumento da
violência preocupa moradores
Na saída das
barcas, principal meio de transporte para se chegar à Paquetá, uma viatura da
Polícia Militar se mistura às bicicletas e carrinhos que fazem passeios
turísticos pelos principais pontos da ilha. Por conta da chegada de criminosos,
o cenário de beleza natural e de aparente tranquilidade, agora se mistura à
presença de agentes de segurança.
De acordo com a
PM, desde dezembro de 2019 não há registros de homicídios na ilha. Entretanto,
a Polícia Civil afirma que recentemente, corpos vítimas de morte suspeita foram
encontrados nos arredores de Paquetá.
O aumento da
violência preocupa os moradores do bairro, que é conhecido por receber turistas
que buscam tranquilidade durante passeios de bicicleta e piqueniques.
Nascido e
criado em Paquetá, um homem, que prefere não se identificar, conta que
tradicionalmente todos se conhecem no local e que os moradores da ilha têm uma
relação muito próxima uns com os outros. Segundo ele, novos moradores são
bem-vindos, no entanto, os desconhecidos, por vezes, podem gerar desconfiança.
"Todo
mundo aqui se conhece. Nos últimos tempos, temos vistos gente nova por aqui,
que veio morar aqui há pouco tempo. Não sabemos quem são essas pessoas e isso
deixa a gente preocupado. Temos medo que isso acabe trazendo o crime e a
violência para cá", desabafou.
Ilha ainda é
tranquila, garante morador
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Presidente da
Associação de Moradores de Paquetá, Augusto Freitas, reconheceu que com o
aumento da criminalidade em outros lugares da capital e do estado, era natural
que bandidos migrassem para a ilha.
"Há 25
anos, quando troquei o Rio por Paquetá, eu dormia com a casa aberta e deixava
minha bicicleta dormir na rua. Hoje, eu não deixo a casa aberta quando vou
dormir. É claro que com o aumento da violência no estado isso pode respingar em
qualquer lugar, então, a gente fica mais atento", declarou.
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Mas, apesar da
ilha não ser mais tão pacata como era antes, o local ainda é muito tranquilo,
garante Freitas.
"Minha
bicicleta ainda consigo deixar na rua sem preocupação. Paquetá ainda é um local
seguro, onde você pode caminhar pelas ruas até tarde sem medo", finalizou.

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