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| Segundo a defesa, o deputado Daniel Silveira se arrepende e quer reparar seu erro. VINICIUS LOURES/CÂMARA DOS DEPUTADOS |
A defesa do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), preso por divulgar um vídeo com apologia ao Ato Institucional nº 5 (AI-5) e por discurso de ódio contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), alegou que ele "agiu sem pensar" e "ultrapassou a barreira do lógico" ao procurar asilo em diferentes embaixadas. Os advogados dizem que os pedidos de refúgio não foram levados adiante pelo réu e que, de acordo com uma petição apresentada pela defesa, "se arrepende e quer reparar seu erro".
Os advogados do
deputado respondiam a um pedido de explicações do ministro do STF Alexandre de
Moraes, que na última segunda-feira (5) deu 48 horas para que Silveira
explicasse as notícias de que teria procurado asilo em quatro embaixadas, sem
sucesso. O
deputado está na prisão desde 24 de junho. Ele chegou a ficar em regime
de prisão domiciliar, mas foi reconduzido à carceragem após deixar de pagar uma
multa de R$ 100 mil estabelecida pelas sucessivas violações à tornozeleira
eletrônica.
"Em um
momento de impulso e na iminência de ser cerceado de sua liberdade novamente, o
réu agiu sem pensar, contudo, reconhece que agiu no impulso e ultrapassou a
barreira do lógico bem como, se arrepende e quer reparar seu erro", diz a
defesa. "Contudo, ainda defendemos que o réu ser cerceado de sua liberdade
e afastado do seu mandato é uma penalidade exacerbada e configura-se em
antecipação de pena, o que é inadmissível em nosso ordenamento jurídico."
Duas
petições
Na ação penal em que Silveira é réu, no entanto, foram protocoladas duas petições em resposta ao pedido de explicações. As peças são contraditórias entre si. Em uma delas, os advogados admitem que o deputado chegou a procurar embaixadas em busca de asilo, mas se arrependeu e desistiu da iniciativa. Na outra petição, assinada por outro escritório de advocacia, não se admite que Silveira tenha procurado pessoalmente pelo asilo, e argumenta-se que ele não pode ser responsabilizado pela ação de terceiros.
"O
deputado não pode ser responsabilizado por 'pesquisas' nesse sentido, se
ocorreram, levadas a termo por advogados ou qualquer do povo à sua
revelia", diz essa petição. "O deputado jamais se ausentou de sua
residência, o que inviabiliza a ilação de que tenha se dirigido a qualquer
representação estrangeira. No mesmo norte, não autorizou ou solicitou nada
nesse sentido. Inexistem indicativos de existência do fato, ou mesmo qualquer
documento fazendo tais solicitações."
Violações à
tornozeleira
A Secretaria de
Administração Penitenciária do Rio chegou a registrar 36 violações à
tornozeleira em menos de dois meses - incluindo descargas, rompimento da cinta
e ausência na área delimitada. Em uma das ocasiões, o equipamento ficou
desligado por quase dois dias.
Quando foi
reconduzido à prisão, em junho, Silveira chegou a se recusar a entregar seu
celular às autoridades.
Agência Estado

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