FOTO: BRUNO ROCHA/ENQUADRAR
Após receber alta neste domingo (18), o presidente Jair Bolsonaro defendeu a atuação do governo e do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello nas negociações por vacinas, voltou a pedir a adoção do voto impresso nas eleições de 2022 e disse querer estudos sobre mais um medicamento para combater a covid-19.
O
presidente deixou o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo,
após quatro dias de internação por conta de uma obstrução
intestinal. Ele se encontrou com apoiadores na saída e falou com
jornalistas por cerca de 30 minutos, disparando várias críticas e defesas.
Questionado
sobre recente reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" que mostrou
vídeo em que Pazuello recebe representantes de uma empresa de Santa Catarina
para intermediação de compra de vacinas Coronavac com a fabricante chinesa
Sinovac e diz que um memorando de entendimento foi assinado, Bolsonaro defendeu
a atuação do ex-ministro afirmando que não foi fechado contrato.
As vacinas
foram oferecidas por cerca de três vezes o preço do mesmo imunizante fabricado
pelo Instituto Butantan, no Brasil. O acordo acabou não prosperando. Pazuello
afirma que só cumprimentou os representantes da empresa, mas não
negociou.
"Se eu
estivesse na Saúde, eu teria apertado a mão daqueles caras todos", disse
Bolsonaro, argumentando que Pazuello estava sem paletó e não estava à mesa no
vídeo divulgado, o que mostraria que não houve negociação alguma com a
participação do então ministro. "Não tem como você fraudar no nosso
governo", garantiu.
Bolsonaro
afirmou que, em Brasília, "não falta gente para vender lote na Lua" e
criticou a imprensa. "Lamentavelmente a imprensa, grande parte da
imprensa, adota o caminho de simplesmente denunciar, denunciar não, divulgar
aquilo que nós não fizemos", disse o presidente.
O presidente
ressaltou que sempre impôs ao Ministério da Saúde duas condições para comprar
vacinas: passar pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e só
pagar depois que chegar. “Nosso governo não gastou um centavo com picareta,
nenhum. Parabéns Pazuello, parabéns coronel Elcio."
No caso da
vacina indiana Covaxin, o
governo acertou a compra mesmo sem aprovação da Anvisa - que só concedeu
autorização de uso emergencial meses depois e mesmo assim restrita. O contrato
de R$ 1,6 bilhão, suspenso pelo governo, é algo de investigações de diversos
órgãos e da CPI da Covid. O valor foi empenhado - reservado para a despesa.
Remédio
Bolsonaro
afirmou que pretende pedir ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, estudos
sobre o uso da proxalutaminda, utilizada em tratamentos contra câncer de
próstata. O presidente já defendeu em diferentes oportunidades ao longo da
pandemia o uso do tratamento precoce. Parte das substâncias indicadas, como a
cloroquina, são consideradas ineficazes pela comunidade científica
internacional. Outras, como a ivermectina, ainda são alvo de estudos após
alguns resultados positivos.
Eleições e
voto impresso
O presidente
sinalizou que pode vetar o fundo
eleitoral de cerca de R$ 6 bilhões para as eleições 2022, aprovado
na quinta-feira (15) pelo Congresso Nacional, dentro da LDO (Lei de Diretrizes
Orçamentárias).
"Eu sigo a
minha consciência, sigo a economia e a gente vai buscar um bom sinal para isso
tudo aí. Afinal de contas, eu já antecipo, R$ 6 bi pra fundo eleitoral, para
financiamento de campanhas, pelo amor de Deus", afirmou.
Bolsonaro
voltou a defender o que chama de voto impresso auditável, repetindo críticas ao
presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, dizendo
ainda que a apuração da votação tem que ser pública.
Argumentando em
favor da liberdade de expressão, o presidente criticou investigações sobre atos
antidemocráticos e "fake news". "Não dá pra gente conviver num
país democrático com pessoas sendo presas e processadas por fake news e atos
antidemocráticos", disse.
"Eu
respeito integralmente a Constituição... tem gente sendo processada porque
levantou faixinha com o artigo 142... eu respeito o artigo 1º da Constituição,
o artigo 2º, o 10º, o 100º e o 142 também, isso é crime?"
O artigo 142 da
Constituição diz que as Forças Armadas "são instituições nacionais
permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina,
sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da
Pátria, à garantia dos Poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer
destes, da lei e da ordem". De maneira recorrente, algumas pessoas
defendem a interpretação, errada, de que, com base neste artigo, as Forças
Armadas funcionariam como um Poder Moderador.
Questionado se
a reunião que ocorreria na quarta-feira passada com os presidentes do STF, Luiz
Fux, do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),
seria retomada, Bolsonaro disse acreditar que sim, mas ressalvou que, como ele
escolhe seus próprios ministros, é o único dos chefes dos Poderes que não têm problemas.
"Com toda
certeza... não tem nada de anormal essas reuniões nossas, é acertar alguma
coisa, trocar uma ideia", disse.
A reunião de
quarta, desmarcada devido ao problema de saúde de Bolsonaro, foi marcada depois
que o presidente chegou a colocar em dúvida a realização das eleições marcadas
para 2022.
Do R7, com informações da Reuters

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