
Palestinos protestaram contra Israel em diversos pontos da
Faixa de Gaza e Cisjordânia. ABBAS MOMANI / AFP - 8.5.2021
Tensões por
possível despejo de famílias palestinas em favor de colonos de Israel aumentam
violência em Jerusalém
Mais de 90 pessoas ficaram feridas na noite deste sábado (8) após novos enfrentamentos entre policiais israelenses e manifestantes palestinos em diversos bairros de Jerusalém, um dia depois dos choques mais graves dos últimos anos na Cidade Santa, que ampliam temores de uma espiral de violência.
Leia
também: Tensão cresce em Jerusalém por possível expulsão de palestinos
Na madrugada
deste domingo (horário local), um foguete foi lanzado de Gaza "até
território israelente" disse o exército, que acrescentou que bombardeou
com um ataque aéreo "um posto militar do Hamas" no sul da Faixa de
Gaza, um enclave palestino de dois milhões de habitantes governado pelo
movimento islamista.
"Houve 90
feridos durante confrontos violentos" em Jesusalém, informou o Crescente
Vermelho palestino, revisando um saldo anterior de 50 feridos.
Segundos
membros desse corpo de resgate, a maior parte dessas pessoas, entre elas
menores de idade, ficaram feridas pelo impacto de balas de borracha e bombas de
efeito moral. Um fotógrafo da AFP viu uma mulher com o rosto ensanguentado.
As forças de
segurança israelenses também usaram um canhão com água podre para dispersar os
palestinos, alguns dos quais jogaram pedras contra a polícia nos choques
ocorridos em vários locais de Jerusalém Oriental.
Na noite de
sexta, os confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar mais sagrado
do islamismo (chamado de Monte do Templo pelos judeus) entre policiais
israelenses e grupos de palestinos deixaram mais de 200 feridos e provocaram
apelos por calma por parte dos Estados Unidos, União Europeia e potências
regionais.
Na noite de
sábado, dezenas de milhares de palestinos rezaram com relativa tranquilidade na
Esplanada depois do iftar, a comida que rompe o jejum do Ramadan. O diretor da
mesquita de Al Aqsa, situada na Esplanada, pediu "calma" aos fiéis,
segundo presenciou um repórter da AFP.
No bairro de
Sheikh Jarrah, local de protestos diários há vários dias contra o possível
despejo de famílias palestinas para instalar colonos israelenses, os palestinos
voltaram a tomar as ruas e alguns jogaram pedras contra as forças de segurança
locais, que afirmam terem detido duas pessoas por supostamente usar "gás
de pimenta" contra seus agentes.
Antes, a
polícia havia informado que restringiu o acesso à Cidade Velha de Jerusalém
Oriental para impedir que palestinos participassem de "distúrbios
violentos".
Um ônibus que
vinha do sul da cidade foi parado e a polícia prendeu alguns dos passageiros palestinos,
segundo constatou um jornalista da AFP.
"Querem
nos impedir de ir a Al Aqsa", declarou Ali al Komani, de 40 anos, perto da
entrada do local sagrado.
Tensão
Há várias
semanas a tensão é crescente em Jerusalém e na Cisjordânia, outro território
palestino ocupado por Israel, onde os palestinos se manifestaram contra
restrições deacesso impostas por Israel em determinados setores durante o
Ramadan e a possível expulsão das famílias de Sheikh Jarrah.
O Hamas pediu
aos palestinos que fiquem na Esplanada até terça-feira, o último dia do Ramadan
e ameaçou Israel com ataques caso a Corte Suprema ratifique os despejos das
famílias dos imóveis disputados em uma sessão prevista para segunta.
Na Faixa de
Gaza, perto da valeta que separa o território palestino de Israel, os soldados
israelenses jogaram bombas de gás lacrimogênio para dispersar manifestantes
palestinos.
Depois da
violência de sexta, os EUA pediram às autoridades israelenses e palestinas
"que ajam para colocar fim à violência". Também mostraram preocupação
com "a possível expulsão das famílias palestinas de Sheikh Jarrar".
A Arábia
Saudita, líder das monarquias do Golfo Árabe, condenaram os possíveis despejos,
assim como Irã, Tunísia, Turquia, Jordânia e Egito. A Rússia, a ONU e a União
Europeia também pediram que Israel "atue com moderação".
Da AFP
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