
SEBASTIAN CASTANEDA/REUTERS
Após a
apuração de mais de 90% dos votos, Castillo liderava, com 18,96% dos votos,
seguido por Keiko, com 13,28%
O professor da
esquerda radical Pedro Castillo e a candidata da direita populista Keiko
Fujimori caminhavam na segunda-feira (12) para o segundo turno das eleições
presidenciais no Peru.
Após a apuração
de mais de 90% dos votos pelo escritório nacional eleitoral (Onpe), Castillo
liderava, com 18,96% dos votos, seguido por Keiko, com 13,28%. Os dois deverão
voltar a se enfrentar em 6 de junho.
Os resultados
oficiais após a apuração de todos os votos do primeiro turno não serão
divulgados antes do começo de maio, segundo o presidente do Júri Nacional de
Eleições (JNE). O novo governante assumirá o cargo em 28 de julho, com o
desafio de superar a emergência de saúde, a recessão econômica profunda e uma
crise política que levou o país a ter quatro presidentes desde 2018.
"A mudança
e a luta estão apenas começando", proclamou Castillo, 51 anos, que saiu do
anonimato em 2017 ao liderar milhares de colegas em uma prolongada greve
nacional.
Esse professor
de escola rural começou a aparecer com possibilidades nas pesquisas e a se
destacar entre os 18 candidatos há apenas uma semana, após percorrer
silenciosamente o país e apresentar bom desempenho nos debates eleitorais na
televisão.
A presença do
candidato de esquerda no segundo turno foi celebrada pelo ex-presidente
boliviano Evo Morales. Pedro Castillo venceu "com a nossa proposta",
declarou Morales em Chapare.
"Com
Castillo, temos uma esquerda antiestablishment que é socialmente conservadora e
rejeita a economia de livre mercado", disse o cientista político Carlos
Meléndez, que antecipa uma "votação complicada", disse à AFP.
“Infelizmente
fomos surpreendidos por Castillo e estamos, portanto, preocupados, mas ao mesmo
tempo, também, vendo que o país está realmente dividido”, disse à AFP Rumi
Cahuana, de 38 anos, de Lima.
Sob a lupa
do Ministério Público
Keiko Fujimori,
45, que disputa a presidência pela terceira vez - perdeu para Ollanta Humala em
2011 e para Pedro Pablo Kuczynski em 2016 - diz ter "muita fé" na
confirmação de sua passagem para o segundo turno. Ele está sob o
investigação do Ministério Público pelo escândalo da construtora Odebrecht, que
afetou também quatro ex-presidentes peruanos.
O MP, que se
prepara para levá-la a julgamento, anunciou em 11 de março que pedirá uma pena
de 30 anos de prisão para Keiko, pelos supostos crimes de "crime
organizado, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça". Se ela
ganhar a presidência, só poderá ser levada a julgamento quando seu mandato de
cinco anos terminar.
'Antivoto'
Entre Castillo
e Fujimori se prevê "um segundo turno polarizado, disse o diretor da Ipsos
no Peru, Alfredo Torres. "Ambos têm bastante antivotos. Há um sentimento
anti-Fujimori em um setor da população e em outro há um sentimento
anticomunista".
"O
anticomunismo se deve à terrível experiência com [a guerrilha maoísta de]
Sendero Luminoso [...] e, em certa medida, também se deve às evidências do
fracasso do regime chavista na Venezuela", disse Torres à AFP. “No Peru,
há 1 milhão de imigrantes venezuelanos, e isso é visto como um mau sinal pelos
peruanos”, acrescentou.
Mas também
haverá um confronto geográfico, segundo o Meléndez: “A eleição deixa uma
divisão Lima/litoral norte contra o resto do país andino e rural”.
Da AFP
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