
Rovena Rosa | Agência Brasil
US $ 49,5
milhões foram recuperados, segundo autoridades do país.
Nesta última
segunda-feira (12), a promotoria anticorrupção do Panamá solicitou o pedido de julgamento de 50 pessoas
acusadas de lavagem de dinheiro no caso Odebrecht.
O Ministério
Público anticorrupção do Panamá justifica o pedido devido à denúncia de entrega
de propina de mais de 100 milhões de dólares pela construtora brasileira para a
concessão e pagamento de obras no país centro-americano.
O MP também
solicitou o julgamento de uma pessoa/instituição jurídica e a demissão de
outras 29 pessoas, encaminhando finalmente às autoridades judiciais o volumoso
dossiê da investigação iniciada há mais de quatro anos.
Segundo nota do
Ministério Público sobre a investigação, foi apurado que o caixa não
contabilizado da Odebrecht utilizou bancos nacionais e internacionais do Panamá
para transferir dinheiro ilícito a servidores públicos e seus familiares.
O dinheiro
repassado, que chega a 100 milhões de dólares, “impactou diretamente na concessão
e no pagamento das obras que o conglomerado estava desenvolvendo em nosso
país”, diz o comunicado divulgado segunda-feira (12) segundo informações da AP.
A promotoria
anticorrupção destacou que os réus utilizaram corporações panamenhas e estrangeiras, frontman ou
interpostos, seguros, contratos fictícios e financiamento de campanhas
políticas.
O comunicado do
Ministério Público panamenho não cita os nomes dos chamados a julgamento. Isso
fez com que alguns críticos exigisse que a identidade dos acusados fosse
revelada.
O Ministério
Público destacou que ao longo da investigação foram recuperados US $ 49,5
milhões para o Estado, dos quais US $ 37,8 milhões correspondem a adiantamentos
feitos pela Odebrecht como parte de uma multa acordada de US $ 220 milhões.
O MP
acrescentou ainda que outros US $ 36,6 milhões foram apreendidos e que incluem
bens e dinheiro dos arguidos.
Caso
Odebrecht Panamá
A Odebrecht
admitiu, no final de dezembro de 2016, ter pago quase US $ 800 milhões em
propinas em 12 países da América Latina e África, O objetivo era acessar mais
de cem obras multimilionárias, segundo o Departamento de Justiça dos Estados
Unidos.
No caso do
Panamá, a gigante brasileira pagou propinas de mais de 100 milhões, incluindo o
período de 2009-2014, em que Ricardo Martinelli geriu, de acordo com as
investigações, segundo a AFP.
Ele também
teria feito contribuições para campanhas eleitorais, como o partido do então
candidato a vice-presidente Juan Carlos Varela nas eleições de 2009, para as
quais o ex-presidente (2014-2019) está sendo processado.
Dois filhos do
ex-presidente Martinelli foram implicados no caso da Odebrecht, embora neguem
as denúncias, segundo a TVN Notícias.
A Odebrecht,
que chegou ao Panamá durante o governo Martín Torrijos (2004-2009), tornou-se a
maior empreiteira do Estado panamenho e fazia parte do consórcio que construiu
as linhas 1 e 2 do Metrô do Panamá, colocadas em operação no final das
administrações Martinelli (2014) e Varela (2019), respectivamente.
Por Thaís Garcia
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