
Canal de Suez é temporariamente bloqueado após embarcação
encalhar. SUEZ CANAL AUTHORITY/HANDOUT
VIA REUTERS - 24.3.2021
Embarcação
gigante bloqueia a passagem de outros cargueiros; autoridades estão tentando
libertar navio e retomar tráfego
A navegação no
Canal de Suez foi suspensa temporariamente, nesta quinta (25), até que as
autoridades consigam retirar um cargueiro
gigantesco que bloqueia o tráfego desde quarta-feira (24) nesta
rota comercial crucial entre Europa e Ásia - uma tarefa que se mostra bastante
complicada.
"As
autoridades marítimas indicaram que 13 navios do comboio norte (procedentes do
Mar Mediterrâneo) (...), que deveriam passar, estão atracados em áreas de trânsito
até que a operação de retirada seja concluída", afirmou o porta-voz da
Autoridade do Canal de Suez (SCA, na sigla em inglês), George Safwat.
Ao mesmo tempo,
a empresa japonesa Shoei Kisen Kaisha, proprietária do gigantesco
porta-contêiner "Ever Given", admitiu que enfrenta uma
"dificuldade extrema" para colocar o navio à tona de novo.
O incidente,
que aconteceu na madrugada de terça para quarta-feira, provoca um grande
engarrafamento de navios e atrasos consideráveis nas entregas de petróleo e de
outros produtos comerciais.
A SCA deslocou
vários rebocadores para o Canal,k que tentam desencalhar o navio
porta-contêiner, de 400 metros de comprimento.
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O bloqueio
provocou o aumento de quase 6% dos preços do petróleo na quarta-feira, motivado
pelos temores sobre o abastecimento.
"As
consequências sobre os preços dependerão da duração do bloqueio", afirmou
Bjornar Tonhaugen, da consultoria Rystad.
"Nunca
vimos nada como isto antes, mas é provável que o congestionamento tome vários
dias ou semanas, para ser reabsorvido, pois deve ter um efeito cascata sobre os
outros comboios, horários e mercados mundiais", afirma Ranjith Raja,
diretora de pesquisas sobre o petróleo do Oriente Médio e o Mar na empresa
Refinitiv, que compila dados financeiros e outras informações.
'Dificuldades
extremas'
O "Ever
Given", um navio de mais de 220 mil toneladas que seguia para Roterdã
procedente da Ásia, encalhou na madrugada de terça-feira para quarta-feira e
ficou atravessado, bloqueado na ala sul do Canal de Suez.
Os
especialistas citam os ventos fortes como uma das causas do incidente com o
cargueiro de 60 metros de altura. A SCA também mencionou uma tempestade de
areia, um fenômeno comum no Egito nesta época do ano, que reduz a visibilidade
e provocou o desvio do navio.
O tamanho do
cargueiro complica as operações, afirma Jean-Marie Miossec, professor da
Universidade Paul-Valéry de Montpellier (França) e especialista em transporte
marítimo. As autoridades devem levar o tempo necessário para "manobrar
bem", disse.
A empresa
Bernhard Schulte Shipmanagement (BSM), que tem sede em Singapura e é
responsável pela gestão técnica do "Ever Given", informou que os 25
membros da tripulação estão a salvo. Não há contaminação nem danos na carga do
navio, que tem capacidade para mais de 20 mil contêineres.
"Em
cooperação com as autoridades locais e a empresa Bernhard Schulte
Shipmanagement, estamos tentando desencalhar o navio, mas enfrentamos uma
dificuldade extrema", afirmou a Shoei Kisen Kaisha em um comunicado.
A empresa pediu
"sinceras desculpas" pela preocupação e os atrasos no tráfego. Também
confirmou que não há feridos na tripulação, nem vazamentos de combustível.
Ligação
marítima entre Europa e Ásia, o Canal de Suez permitiu que os navios não
tivessem de dar a volta no continente africano (o que representa, por exemplo,
6.000 km a menos entre Singapura e Roterdã), mas também foi cenário de guerras
e anos de inatividade.
Um incidente
como o desta semana tem grandes consequências, porque 10% do comércio marítimo
internacional passa por esta via, segundo os especialistas.
Uma ampliação
feita entre 2014 e 2015, para acompanhar a evolução do comércio marítimo,
facilitou o cruzamento de navios e diminuiu ainda mais o tempo de trânsito no
canal. Quase 19.000 embarcações usaram o Canal de Suez ano passado, segundo a
SCA.
Idealizado por
Ferdinand de Lesseps, um empresário e diplomata francês, o colossal projeto
levou dez anos de trabalho, entre 1859 e 1869, com a participação de um milhão
de egípcios, de acordo com as autoridades.
Da AFP
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