
Ricardo Carvallo Terán | ABI
O secretário de
Estado dos EUA, Antony Blinken, exigiu que a Bolívia neste sábado (27)
liberasse a ex-presidente interina do país, Jeanine Áñez, e dois de seus
ex-ministros. Ele expressou sua preocupação com os “sinais de comportamento
antidemocrático” na Bolívia.
Áñez e os
membros de seu Gabinete são acusados falsamente de “sedição e terrorismo” e
de um “golpe de Estado” que nunca existiu, quando o socialista Evo Morales teve
que renunciar ao cargo, após descobertas da fraude eleitoral em seu favor em 2019.
Em nota, Antony
Blinken reagiu fortemente à prisão dos três políticos bolivianos há duas
semanas.
“Os Estados
Unidos estão profundamente preocupados com os crescentes sinais de
comportamento não democrático e politização do sistema legal na Bolívia, após a
recente detenção e prisão preventiva de ex-funcionários do governo interino”,
disse o secretário de Estado dos EUA.
Sem mencionar
diretamente Áñez ou os ex-ministros detidos, Blinken constantemente se referia a
“ex-funcionários”.
Desta forma, os
Estados Unidos exigiram que a Bolívia “deixasse claro seu apoio à paz,
democracia e reconciliação nacional, libertando os ex-funcionários detidos
enquanto se realiza uma investigação independente e transparente sobre questões
de direitos humanos e o devido processo legal”.
Ele acrescentou
que essas prisões “não são consistentes com os ideais democráticos da Bolívia”.
No entanto, mesmo após às fraudes eleitorais de 2019, Blinken afirmou que as
prisões, “desacreditam os esforços extraordinários de tantos eleitores,
candidatos e funcionários públicos bolivianos que transformaram as eleições de
outubro de 2020 e as eleições subnacionais deste mês em um sucesso
democrático”.
Blinken
acrescentou que existem dúvidas sobre a “legalidade” das referidas detenções
por serem “baseadas em acusações infundadas, pelas aparentes violações do
devido processo na sua execução e pela natureza profundamente politizada do
trabalho de fiscalização do governo boliviano”.
Ele ressaltou
que ainda espera manter uma “relação robusta e de respeito mútuo” com o governo
do atual presidente boliviano, o socialista Luis Arce. Por isso, pede às
autoridades e aos manifestantes bolivianos que ajam neste caso com “paz,
moderação e respeito”.
Blinken
assegurou que sua posição coincide com a da “União Europeia, a Conferência dos
Bispos Católicos da Bolívia e as organizações bolivianas e internacionais de
direitos humanos”.
A perseguição
ordenada pelo Movimento pelo Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales,
contra os membros do governo provisório da Bolívia, é um escândalo
internacional. Foram tantos os abusos que autoridades de vários outros países
se pronunciaram sobre o assunto, e até mesmo o secretário da Organização das
Nações Unidas (ONU).
Há quase duas
semanas, o secretário-geral da OEA também pediu a libertação de Áñez e dos dois
ex-ministros. Daquela instância, considerou-se que “o sistema judicial
boliviano não está em condições de oferecer as garantias mínimas de um
julgamento justo e imparcial”.
Durante uma
reunião na semana passada no México, tanto Arce quanto o presidente mexicano
instaram a OEA a não intervir nos países.
Apoio do
povo à Añez
O povo
boliviano foi às ruas em apoio de Jeanine Áñez e seu gabinete.
As manifestações que ocorreram, em 15 de março, em La Paz, Cochabamba, Sucre e
Santa Cruz foram uma resposta ao envio de Áñez ao presídio feminino de La Paz.
Na capital
boliviana, o protesto foi convocado pelo Comitê Nacional de Defesa da
Democracia (Conade). Essa mesma organização liderou as manifestações contra a
fraude eleitoral a favor de Morales em 2019.
“Não vamos
desistir, vamos lutar até que essa situação de criminalização que ocorreu no
país seja revertida”, disse o porta-voz do Conade, Manuel Morales, à EFE. A caminho do Ministério Público, a mobilização passou
por pelo menos dois ministérios onde os manifestantes exigiam “justiça e
liberdade” e asseguraram que em 2019 não houve golpe.
Em Santa Cruz,
milhares de pessoas foram ao Cristo Redentor, monumento emblemático daquela
cidade, o maior do país. Com as bandeiras de Santa Cruz e da Bolívia, o povo
boliviano rejeita a prisão de Áñez e de dois de seus ex-ministros.
Por Thaís Garcia
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