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Valentina é uma das chilenas que engravidou enquanto
tomava o anticoncepcional Anulette.
ALBERTO VALDEZ / EFE - 4.2.2021
Governo é
acusado de negligência por não alertar amplamente sobre problema de fabricação
de pílula distribuída na rede pública
O governo do
Chile está sendo acusado de negligência por dezenas de mulheres que tomavam um
anticoncepcional que era distribuído na rede pública do país e, mesmo assim,
engravidaram. Somente após receber diversas denúncias, o remédio foi retirado
de circulação em agosto do ano passado, pelo Instituto de Saúde Pública (ISP)
chileno, mas para muitas, já era tarde.
Segundo a Miles
Chile, organização que luta pelos direitos reprodutivos das mulheres, pelo
menos 170 chilenas denunciaram que engravidaram após tomar o medicamento
Anulette CD.
Uma
investigação do governo constatou que dois lotes do anticoncepcional estavam
com problemas. De acordo com a Silesia, a farmacêutica que produz o Anulette,
os dois lotes com defeito continham quase 270 mil cartelas.
No primeiro
lote, o problema não era com os remédios em si, mas com as cartelas.
Normalmente, elas vêm com 28 comprimidos — 21 amarelos que contém o medicamento
para serem tomadas no período fértil e 7 azuis com placebo para o período
menstrual. Algumas cartelas desse lote tinham cápsulas de placebo no lugar do
medicamento e vice-versa.
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O segundo lote,
para o qual o governo fez um recall apenas quatro dias depois, tinha cartelas
defeituosas, traziam comprimidos esmagados ou simplesmente estavam vazias. Com
isso, o registro do medicamento foi suspenso pelo governo. Mas os problemas não
pararam por aí. O governo chegou a liberar o uso do Anulette após o recall, mas
depois voltou atrás.
Em outubro do
do ano passado, a empresa pediu que o ISP retirasse dois outros
anticoncepcionais de circulação, o Minigest 15 e o Minigest 20, que
apresentavam quantidades baixas do princípio ativo.
Resposta
insuficiente
Para a Miles
Chile e outras entidades, a resposta do governo foi insuficiente. Em meio à
pandemia do coronavírus, os recalls foram anunciados apenas em um site do
governo que é pouco acessado pelo público, e não receberam muita cobertura da
imprensa local. O governo também não fez nenhuma coletiva de imprensa nem uma
campanha na mídia para avisar as usuárias.
"Eles
violaram gravemente o direito das mulheres de decidirem quando querem ter um
filho", criticou Javiera Canales, diretora-executiva da Miles Chile.
O resultado foi
que dezenas delas engravidaram sem querer e sem ter nenhuma outra alternativa a
não ser levar a gravidez adiante, em um país onde o aborto é criminalizado, com
exceção a casos de estupro e risco à vida da mãe.
Do R7, com
EFE
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