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| Rene Schutze/Polfoto via AP |
Líderes cristãos na Dinamarca dizem que a liberdade religiosa e a liberdade de expressão e discurso estão sob ataque, depois que um projeto de lei foi proposto, exigindo que líderes de todas as religiões traduzissem seus sermões para o Dinamarquês e os submetessem ao governo, segundo o bispo da Igreja Anglicana na Europa, Robert Innes.
A mídia
independente católica, La Croix International, informou que a nova medida visa
principalmente grupos islâmicos radicais, mas também afetará igrejas. A revisão
está programada para este mês no Folketing, o Parlamento
dinamarquês. O país tem uma população de mais de 270.000 muçulmanos, e a
maioria dos sermões nas mesquitas é pregado em Árabe.
O governo da
Dinamarca disse que a lei é necessária para conter o crescimento do extremismo
islâmico.
A medida visa
tirar a pregação da jihad das mesquitas, mas como a Europa é
tão ‘politicamente correta’, provavelmente o PL não focará apenas nas mesquitas
e incluirá igrejas também.
Os líderes
cristãos estão soando o alarme sobre a lei proposta e os perigos que ela
representa.
O bispo da
Igreja Anglicana, Robert Innes, escreveu uma carta à primeira-ministra
dinamarquesa, Mette Frederiksen, expressando sua preocupação com a medida, que
ele descreve como um vínculo “excessivamente restritivo” à liberdade de
expressão, de acordo com o The Guardian.
Innes disse ao
jornal britânico que teme que a lei, se aprovada pelo Parlamento dinamarquês,
seja replicada em outros lugares da Europa, em um momento em que as minorias
religiosas já estão sentindo suas liberdades estão sendo violadas.
“Estou certo de
que há de uma preocupação genuína com a segurança da propriedade e o
monitoramento de todas as minorias religiosas que podem ser percebidas como um
risco à segurança”, disse Innes. “Eu compartilho a ambição do governo
dinamarquês de garantir a segurança e proteção, e o desejo de que todas as
organizações religiosas na Dinamarca conduzam seus atos pacificamente. Mas
exigir a tradução dos sermões para a língua nacional vai longe demais.”
“Em uma
sociedade democrática, espero que o governo se esforce por uma melhor
cooperação com as organizações religiosas do que recorrer às pressas a uma
legislação que interfira em suas liberdades”, continuou o bispo.
“Esta é a
primeira vez que é tão importante encontrarmos uma maneira de abordar e
encorajar o governo dinamarquês a encontrar outra solução. Porque minha
preocupação real é que se os dinamarqueses fizerem isso, outros países copiem”,
observou. “De fato, isso seria um desenvolvimento muito preocupante.”
Innes disse
ao The Guardian que este não é um incidente isolado,
dizendo que “pouco a pouco, grupos minoritários estão sendo tratados com
suspeita crescente.”
Os líderes da
Igreja Evangélica Luterana também escreveram aos funcionários do governo
dinamarquês sobre as suas preocupações. Em uma carta publicada no jornal diário cristão nacional
da Dinamarca, o bispo Peter Skov-Jacobsen e seus colegas bispos disseram: “…
estamos arriscando que o Estado dinamarquês negligencie o reconhecimento de
congregações de língua não-dinamarquesa como sendo parte da comunidade
eclesiástica e da vida cultural da Dinamarca. Causaria grande dano se as muitas
congregações dinamarquesas no exterior enfrentassem ação semelhante de países
estrangeiros. A aprovação do projeto prejudicaria ainda mais a reputação da
Dinamarca no resto do mundo.”
A rev. Smitha
Prasadam, capelã anglicana na Dinamarca, disse ao jornal dinamarquês Jyllands-Posten, sobre
suas preocupações com o envio de sermões traduzidos ao governo.
“Qualquer
sermão depende do texto bíblico e do contexto; o roteiro e o não roteirizado; a
dinâmica entre o pregador e a congregação … em uma tradução, como as nuanças, o
significado e a ênfase, eles seriam transmitidos?”, questionou Prasadam. “Há um
grau de sofisticação que exigiria mais habilidade profissional, o que
acarretaria em tempo e implicações financeiras. A preparação do sermão varia em
conteúdo e entrega. Às vezes, escrevo todo o roteiro. Outras vezes, apenas
títulos ou tópicos. Às vezes, mesmo quando tenho todo um sermão escrito à mão,
prego de improviso conforme inspirado pelo Espírito Santo.”
Innes também
disse ao site Anglican Ink que exigir que os pregadores enviem seus
sermões ao governo após serem traduzidos para o Dinamarquês é contra a
liberdade de expressão.
“As propostas
para exigir a tradução de sermões para uma língua nacional são anti-liberdade
de expressão e não liberais. Temos a tendência de nos empenhar na proteção da
liberdade religiosa de expressão e crença fora da Europa”, explicou. “Estamos
vendo agora uma necessidade urgente de agir sobre essas questões fundamentais
em toda a própria Europa. As consequências de restringir essas liberdades são
preocupantes e de longo alcance.”
Outras igrejas
europeias também expressaram suas preocupações sobre a lei proposta. Essas
igrejas incluem a Federação Luterana Mundial, a Comissão Católica Romana das
Conferências Episcopais da União Europeia e a Conferência das Igrejas Europeias.
Por Thaís Garcia

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