
Petrobras anunciou plano de desinvestimentos.
Ueslei Marcelino/Reuters - Arquivo
Presidente da
empresa, Roberto Castello Branco, afirma já ter seis refinarias em estágio
avançado de venda
A Petrobras espera
"concluir" integralmente a venda das oito
refinarias colocadas no plano de desinvestimentos até o final de
2021, de acordo com o compromisso assumido com o Cade (Conselho Administrativo
de Defesa Econômica), disse o presidente-executivo da companhia, Roberto
Castello Branco, nesta segunda-feira (30).
Segundo
Castello Branco, além da Rlam, na Bahia, a Petrobras tem outras refinarias em
que se pode chegar à assinatura de um contrato de compra e venda em futuro
próximo.
"Temos as
ofertas vinculantes para a Refap (no Rio Grande do Sul) e Repar (no Paraná) no
dia 10 de dezembro. Isso representa seis refinarias já em curso de venda, em
estágio mais avançado", afirmou ele, em entrevista a jornalistas.
Mais cedo, a
companhia detalhou seu plano de vendas de ativos para o período 2021-2025.
Castello Branco acrescentou que a empresa espera lançar a data para ofertas
vinculantes da Regap (Minas Gerais) e Rnest (Pernambuco) no início de 2021.
A estatal, que
hoje tem 13 refinarias localizadas em várias regiões do país, passará a ter
cinco unidades de refino, todas concentradas no Sudeste, a principal região
consumidora. A capacidade produtiva passará de 2,2 milhões para 1,1 milhão de
barris por dia.
Desinvestimentos
A Petrobras
prevê desinvestimentos de US$ 25 bilhões a US$ 35 bilhões no período de 2021 a
2025, versus uma faixa de US$ 20 bilhões-US$ 30 bilhõesno plano de negócios
anterior, à medida que a empresa busca reduzir sua dívida e concentrar recursos
em ativos de "classe mundial" como os campos de pré-sal.
O valor a ser
obtido com desinvestimentos aumentou com a inclusão no plano de fatias da Petrobras
na petroquímica Braskem e na BR Distribuidora, além de campos de Marlim e
Albacora, esclareceu a diretora de Finanças e Relacionamento com Investidores,
Andrea Marques, em entrevista com jornalistas, notando que a adição de alguns
desses ativos era uma possibilidade.
A estatal
também quer vender a distribuidora de gás Gaspetro e térmicas, entre outros
ativos, mas é com as refinarias que a companhia pode obter uma parcela dos
recursos importante já em 2021, indicou o presidente da Petrobras, Roberto Castello
Branco, ao afirmar que a petroleira prevê concluir no ano que vem a venda das
oito unidades de refino colocadas no plano.
"Temos as
ofertas vinculantes para a Refap (no Rio Grande do Sul) e Repar (no Paraná) no
dia 10 de dezembro. Isso representa seis refinarias já em curso de venda, em
estágio mais avançado", afirmou ele, após a companhia detalhar mais cedo
seu plano de vendas de ativos para o período 2021-2025.
A estatal não
especificou, no entanto, quanto e quando espera obter os recursos das vendas de
ativos. "É difícil estimar as datas de recebimento neste 'range' de cinco
anos...", disse Andrea, admitindo que uma parcela significativa desse
valor pode ficar para 2021, por conta das refinarias.
Também estão
incluídos no programa de alienação ativos campos de produção em terra e águas
rasas, além do polo Albacora, Albacora Leste, Frade e 50% no polo Marlim.
"Apesar das restrições para movimentação por causa da covid-19, estamos
avançando bem para cumprir os compromissos assumidos com o Cade para a abertura
desse mercado de refino", reiterou a diretora de Refino, Gás e Energia,
Anelise Lara.
Mais cedo, a
diretora de finanças disse a investidores que, nos casos da BR e da Braskem, a
companhia vai aguardar uma janela mais positiva de mercado para realizar as
operações.
Lara, por sua
vez, disse que a alienação da fatia na Braskem terá seu modelo anunciado
oportunamente. A executiva comentou ainda ter expectativa de conclusão do
negócio da venda da Liquigás, distribuidora de gás liquefeito de petróleo, em dezembro.
Ela também
reforçou que a companhia deixará de atuar nos setores de transporte e
distribuição de gás. De outro lado, a empresa reduzirá sua participação como
supridora, mas ainda terá papel importante. "Deixaremos de ter uma
participação quase integral no suprimento para (um) patamar próximo de 55%
desse mercado", comentou.
Com relação à
Gaspetro, a executiva afirmou que a empresa terá de buscar outro formato de
desinvestimento, após a Compass, do grupo Cosan, ter sido desqualificada do
processo devido a questões concorrenciais.
"A Compass
não preenchia requisitos de desverticalização, isso coloca um problema para
nós. Vamos ter que buscar outro formado de desinvestimento na Gaspetro. A
Mitsui (sócia) também está querendo sair, vamos buscar forma de sair juntos
desse processo, uma vez que houve esse processo do Cade", explicou.
Apesar da
vendas de térmicas também estar incluída no plano, a Petrobras manterá
capacidade de geração de 4,3 gigawatts, acrescentou a executiva. Ela disse que
a maioria das térmicas está em processo de desinvestimento, mas a Petrobras tem
expectativa de ficar com dez unidades "para monetizar" o próprio gás.
Já o terminal
de regaseificação na Bahia deve ter novo processo competitivo aberto para
arrendamento no início do próximo ano, após uma empresa interessada ter sido
desqualificada por riscos de conformidade.
Do R7
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