
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente
da República, Jair Bolsonaro, em evento em Brasília.
Foto: Adriano Machado/Reuters (17.jun.2020)
O governo aposta na implosão do bloco de oito partidos (DEM, PSDB, MDB,
Cidadania, PT, PCdoB, PDT e PSB) que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia,
articula para a sucessão da presidência da Câmara.
Na ponta do
lápis, as legendas unidas carregariam cerca de 350 votos para o candidato a ser
escolhido pelo grupo, mas governistas com quem a CNN conversou
nos últimos dias avaliam que o grupo capitaneado não conseguirá chegar unido no
dia 1 de fevereiro, data da eleição.
A aposta maior
continua sendo na vitória do candidato preferido pelo Palácio do
Planalto, Arthur
Lira, líder do PP.
A avaliação dos
governistas se dá dentro de dois cenários. Primeiro, considerando que Rodrigo
Maia não conseguirá o aval jurídico para se candidatar para tentar seu quarto
mandato consecutivo.
A leitura é a de que o escolhido do bloco não terá os votos do restante do
grupo uma vez que se sentiriam traídos por Maia que, segundo os governistas,
prometeu a mais de um candidato a vaga.
Assim, a
avaliação é a de que haveria um racha no grupo. Além disso, governistas dizem
que é alto o grau de traições caso isso não ocorra por peculiaridades dentro de
cada legenda e bancada.
No PSDB, por
exemplo, calcula-se que metade da bancada de 31 deputados não votaria em Maia.
O motivo é uma disputa interna ocorrida em 2019 quando o deputado Celso Sabino
foi apoiado por Arthur Lira para assumir a liderança da Maioria na Câmara, mas
o grupo mais próximo a Maia atuou para desfazer o acordo.
Além disso,
parte dos tucanos está incomodada com a aproximação de Maia dos potenciais
candidatos a presidente em 2022, como Sergio Moro e Luciano Huck.
João Doria,
governador de São Paulo, não só pretende disputar como se isso ocorrer entrega
o governo paulista ao vice, Rodrigo Garcia, do DEM.
No
Republicanos, a avaliação dos governistas é a de que o nome do partido, Marcos
Pereira, atual vice-presidente da Câmara, sofreria pressão do segmento
evangélico para desistir de uma candidatura contra o governo.
Pereira e a
legenda são ligados a esse segmento que tem muita proximidade com o presidente.
Ademais, a sigla é a mesma de dois filhos do presidente, Carlos e Flávio, e a
mesma de Marcelo Crivella e Celso Russomano, dois candidatos que o presidente
apoiou --e perdeu--- nessas eleições.
O PSL, segunda
maior bancada da casa com 41 deputados, a situação é peculiar. Metade é
bolsonarista e não votaria em um candidato de Maia de qualquer modo.
A outra metade
é ligada a Bivar, mas governistas garantem que se ele não for o candidato do
bloco, todos migrarão automaticamente para a candidatura de Lira.
Baleia Rossi
seria o nome do MDB no bloco, mas há resistência a seu nome por parte da
esquerda uma vez que ele é muito ligado ao ex-presidente Michel Temer, artífice
do impeachment de Dilma Rousseff.
Os paulistas,
maior bancada da Câmara com 80 deputados, também têm resistência a fortalecer a
legenda, minoritária dentro da bancada paulista.
Um outro nome
do grupo, Agnaldo Ribeiro, relator da reforma tributária e próximo a Maia, é
visto também com um longo caminho a se viabilizar, tendo em vista que sua
própria bancada fechou com Arthur Lira.
O governo
também avalia que a ideia de que toda a esquerda ao presidente Jair Bolsonaro
marchará unida com Rodrigo Maia não prevalecerá.
No PSB, por
exemplo, a conta é a de que mais da metade (17) da bancada de 31 deputados está
com Lira. O segundo turno das eleições municipais neste domingo reforçaram esse
elo, uma vez que Lira foi o principal articulador de JHC, candidato eleito pelo
PSB em Maceió.
O governo tem
trabalhado também os votos dos petistas, a maior bancada da casa com 54
deputados. A estratégia, porém, vem sendo feita por integrantes da própria base
aliada com um discurso em duas frentes.
Primeiro, o de
que Rodrigo Maia sempre foi oposição ao PT, ao passo que Lira integrou a base
aliada dos governos petistas.
Segundo, que
Maia teria compromisso muito maior com a agenda liberal a qual o PT se opõe do
que Lira. Em suma, o governo avalia que Maia só tem fechado mesmo os votos do
PC do B, que tem nove deputados. E que o prazo final para a formação dos blocos
é o dia 1 de fevereiro às 11h.
STF
Os governistas
também desenham um terreno arenoso para o caso de Rodrigo Maia conseguir o aval
do Supremo Tribunal Federal para se candidatar.
Primeiro porque
avalia-se que o bloco se diluiria tendo em vista que o que o mantém unido é a
expectativa dos partidos de encabeçar o grupo. Nesse sentido, considerar-se-iam
traídos por Maia e não o apoiariam.
Mas mesmo antes
da decisão final do STF, os governistas já traçam suas estratégias para que a
corte não interfira na disputa.
Os partidos da
base articulam, por exemplo, a elaboração de um documento no qual se
manifestariam contrariamente ao julgamento por considerarem que se trata de
interferência de um poder em outro.
Pretendem
também apontar o precedente que uma decisão favorável a Maia poderia abrir para
eleições em geral, como para prefeitos, vereadores, governadores e até mesmo
para presidente.
O julgamento no
plenário virtual começa nesta sexta-feira e há uma expectativa grande no
governo de que algum ministro peça vista.
Se isso
ocorrer, o processo vai para o julgamento físico mas tão somente após o
ministro que pedir vista liberar o processo e ainda assim o presidente da
corte, Luiz Fux,
pautá-lo. Se isso ocorrer, uma liminar poderá autorizar as candidaturas.
Se isso
ocorrer, os governistas irão apostar em um discurso beligerante contra Maia
focada na necessidade de alternância de poder na casa.
Isso porque
Maia preside a Câmara desde 14 de julho de 2016, quando venceu a eleição após a
renúncia de Eduardo Cunha. Depois, disputou e venceu as eleições de 1 de
fevereiro de 2017 e de 2019.
Por Caio
Junqueira, CNN
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