
Presidente do Senado Federal, David Alcolumbre (DEM-AP).
Foto: Marcos Oliveira - 19.fev.2020/Agência Senado
Integrantes das
principais bancadas do Senado elaboraram um manifesto público e uma
petição para ser apresentada ao Supremo Tribunal Federal contra a possibilidade
de reeleição de Davi Alcolumbre na casa e Rodrigo Maia na Câmara.
Uma reunião por
videoconferência ocorrida nessa segunda-feira (30) debateu os termos do
manifesto. Participaram dela os senadores Eduardo Braga, líder do MDB no
Senado, Tasso Jereissati (PSDB), Esperidião Amin (PP), Otto Alencar (PSD),
Oriovisto (Podemos), Randolfe Rodrigues (Rede), Alessandro Vieira (Cidadania) e
Alvaro Dias (Podemos), ambos do movimento Muda, Senado, que apoiou Alcolumbre
em 2019 mas depois passou a ser oposição a ele.
O manifesto
abre citando a vedação constitucional à possibilidade de reeleição, prevista no
artigo 57, que diz expressamente que "cada uma das Casas reunir-se-á em
sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da
legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para
mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição
imediatamente subsequente".
Na sequência, o
documento diz que se trata de uma "violência" uma reinterpretação
judicial do dispositivo, que qualquer alteração só poderia ocorrer por via
legislativa e que a própria Câmara já rejeitou uma emenda constitucional nesse
sentido em 2003.
Foi quando a proposta de emenda constitucional 101 foi rejeitada. "Queremos eveitar a venezuelização do Congresso", disse à CNN Esperidião Amin.
O líder do MDB
no Senado, Eduardo Braga, que tem pretensões de se candidatar a presidente e
lidera a maior bancada do Senado, com 13 senadores, defendeu na reunião que a
possibilidade de reeleição depende da aprovação de uma PEC pelo Congresso.
Mas ele ainda
consultaria os outros senadores do partido sobre a sua eventual subscrição ao
documento. Sua posição, porém, é importante porque no Senado a maior bancada
costuma indicar o presidente da casa.
"O MDB tem
posição de bancada já dita ao Davi, ao STF e ao governo, de que qualquer
mudança nesse ponto só pode ser feita via uma proposta de emenda
constitucional", disse à CNN Eduardo Braga.
Sobre a
possibilidade de o STF mudar o entendimento da Constituição, ele disse:
"Decisão do STF a gente acata ou recorre".
Ele também se
coloca contrariamente ao STF decidir que se trata de uma decisão interna
corporis, ou seja, que cabe a Câmara e ao Senado decidir:
"O que
significa uma decisão interna corporis? Que qualquer presidente de corte pode
se reeleger se tiver maioria? Precisa explicar o que é isso. Não é decidir
interna corporis e ponto."
Em outra
frente, os senadores buscam assinaturas de partidos para assinar uma petição a
ser direcionada ao Supremo Tribunal Federal dizendo na prática o mesmo que diz
o manifesto, reivindicando serem ouvidos na ação que a corte começa a julgar
nesta sexta-feira e que decidirá se poderá ou não haver recondução dos atuais
presidentes da Câmara e do Senado.
Já assinam a
petição Progressistas, Podemos, PSB e Rede. Ela será apresentada ao relator
Gilmar Mendes.
Os dois
movimentos são relevantes porque retratam uma crescente insatisfação no Senado
com a possibilidade de reeleição de Alcolumbre.
O melhor
retrato disso é que dois grupos internos na Casa, o Muda, Senado, que faz
oposição a Alcolumbre e tem cerca de 20 senadores, e um grupo independente,
liderado pelo MDB, PSD, PP e PSDB, que somados uniram-se nessa estratégia.
Somados, eles
têm praticamente metade da casa. Embora no Senado as bancadas não ajam tanto em
bloco como na Câmara, é um sinal de que a reeleição de Alcolumbre não é um tema
pacífico na casa.
O ideal para o
grupo é que o STF rejeite ou não julgue a ação proposta pelo PTB e que foi
idealizada por Benito Gama, vice-presidente da sigla e que é lotado no gabinete
de Alcolumbre.
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| Foto: Reprodução |
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| Foto: Reprodução |
Os senadores são contra a possibilidade de que o STF considere assunto interna corporis, ou seja, que cada casa decisa se pode ou não. Avaliam que com isso o presidente do Senado levaria o assunto ao plenário, onde tem maioria.
Por Caio
Junqueira, CNN


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