![]() |
| O presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça - 03/09/2020. Foto: Reprodução/YouTube |
O presidente
Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu vetar, caso seja aprovado, um projeto de
lei apresentado no Congresso Nacional que prevê pena de prisão para quem
descumprir medidas de contenção da Covid-19.
A proposta
permitiria que fosse enquadrado como crime o descumprimento às medidas
previstas na lei de combate ao coronavírus, que inclui a vacinação, o uso de
máscaras e a realização compulsória de exames e testes laboratoriais.
O projeto foi
apresentado pelo deputado Wolney Queiroz (PDT-PE) e estabelece que desobedecer
essas medidas possa ser enquadrado no crime de infração de medida sanitária
preventiva.
A pena prevista
no artigo 268 do Código Penal para o crime é detenção de um mês a um ano e
multa. A punição seria aumentada em um terço em caso de funcionário da saúde
pública, médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.
"Não tem
cabimento um projeto desse", disse Bolsonaro durante transmissão ao vivo
pelas redes sociais, na qual reafirmou a sua posição de que a imunização para o
novo coronavírus não deve ser obrigatória.
"Acho
difícil que esse projeto seja aprovado. Depois, se chegar na minha mesa eu já
adianto que eu vou vetar", disse.
Na sequência, o
presidente cita a possibilidade de que um eventual veto seja derrubado pelo
Congresso e relembra uma frase dita por ele na reunião ministerial de 22 de
abril deste ano, cujo vídeo foi tornado público por decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF).
"Se o
Congresso derrubar o veto, olha a que ponto nós estamos chegando. Lembra
daquela reunião de ministros em que eu falei: 'olha como é fácil impor uma
ditadura no Brasil'", criticou, classificando a obrigatoriedade como uma
medida autoritária.
Bolsonaro
argumentou que a legislação, apesar de permitir a possibilidade dos
procedimentos médicos compulsórios, não obriga que essa determinação seja
feita. "A lei diz que poderão ser adotadas medidas, não significa que
serão", argumentou.
O projeto do
deputado Wolney Queiroz foi apresentado no dia 29 de julho de 2020, antes de
Bolsonaro defender a não-obrigatoriedade da imunização contra a Covid-19 no
Brasil. A proposta não começou a tramitar na Câmara, aguardando despacho do
presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
O ponto
principal da proposta do parlamentar trata das regras para uma eventual
vacinação. Delega a função às secretarias estaduais e municipais de Saúde e
define uma ordem de imunização que comece com os profissionais de saúde e
segurança, seguido por idosos, portadores de doenças pré-existentes e
professores.
Reforma
administrativa
O presidente
comentou brevemente sobre a proposta de reforma administrativa, entregue à
Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (3) pelo ministro-chefe da
Secretaria-Geral, Jorge Oliveira.
Bolsonaro se
limitou a dizer que os atuais servidores públicos não serão afetados pela
medida e elencou o os gastos com pessoal e com a Previdência Social como os
principais custos do orçamento público. “O que mais pesa para nós é a
Previdência e o servidor”, disse.
ONGs
O presidente
Jair Bolsonaro criticou as organizações não-governamentais (ONGs) que atuam na
região da Amazônia, comparando essas entidades com um "câncer" que
ele estaria combatendo na região.
"Você sabe
que as ONGs, em grande parte, não têm vez comigo. Eu boto para quebrar em cima
desse pessoal lá, não consigo matar esse câncer, em grande parte, chamado
ONG", disse.
Na live,
Bolsonaro ironizou os questionamentos sobre os aumentos recordes das queimadas
na região da Amazônia e do Pantanal desde o ano passado. "O pessoal acha
que está pegando fogo não sei onde e é só chegar lá e apagar, com um abafador,
dar uma cuspida em cima da fogueira", disse.
Ele também
minimizou o monitoramento feito por satélite dos focos de incêndio e afirmou
que até "fogueira de São João" é contabilizada.
O presidente
reclamou que recebe "pancada o tempo todo" em cima do governo sobre a
questão ambiental e disse que "canalhas" estão fazem campanha como se
ele estivesse "colocando fogo na Amazônia".
Guilherme
Venaglia, da CNN, em São Paulo
(Com
informações de Kevin Lima, da CNN, em Brasília, e do Estadão Conteúdo)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!