
Com um
debate sobre a Atenção à Primeira Infância nos Programas de Acolhimento através
da integração de uma rede de atendimento às gestantes, mães presidiárias, em
situação de rua, além de assistência de saúde para aquelas cujos os pais estão
presos, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) iniciou, na
segunda-feira (09/03), a 5ª Semana de Valorização da Primeira Infância, que
acontecerá também nos dias 11 e 13/03. O objetivo é discutir as necessidades
das crianças no período de zero a seis anos de vida.
Durante a
abertura do evento, realizado no auditório Desembargador Paulo Roberto Leite
Ventura da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), a juíza
Raquel Chrispino, integrante da Coordenadoria Judiciária das Varas da Infância,
da Juventude e do Idoso (Cevij), apresentou as principais propostas do Plano
Estratégico do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro. Ela lembrou que a
preocupação do TJRJ com a Primeira Infância veio a partir da experiência de
algumas psicólogas e assistentes sociais que trabalhavam na Vara da Infância da
Capital, que perceberam a importância de dinâmicas e formas de trabalho
especiais para as crianças menores.
Segundo a
magistrada, a entrada em vigor da lei 13.257/2016, com a qual o Brasil se
tornou o primeiro país a reconhecer e valorizar a Primeira Infância na América
Latina, fez o Judiciário se preocupar com novos aspectos.
- A
relação dos juízes criminais com a primeira infância é importante. O juiz da
VEP se relaciona por causa da prisão que ele é responsável, pela prisão do pai,
da mãe. Então, ele pode pegar o dado daquele filho e passar para a rede para
que ele possa ser acolhido. E os juízes de família se relacionam pela paternidade.
Nessas questões já estamos mais envolvidos dentro do TJRJ, mas eram áreas que
sempre trabalharam separadas. A Primeira Infância vem como um guarda-chuva que
vai ligar algumas áreas que antes, a princípio, não estavam diretamente ligadas
– enfatizou a juíza.
Presidente
da Coordenadoria Judiciária de Articulação das Varas da Infância e da Juventude
e do Idoso (Cevij), o juiz Sergio Luiz Ribeiro de Souza lembrou durante o
encontro que pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o acolhimento
familiar é preferencial em relação ao acolhimento institucional em abrigos – e
citou uma pesquisa demonstrando que para cada ano de acolhimento institucional
há um déficit de desenvolvimento de 4 meses. Só que os programas que envolvem
famílias acolhedoras não têm o número de vagas necessárias.
- Há
ainda um outro desafio: a atenção à Primeira Infância no âmbito de justiça das
políticas públicas. Precisamos que todos os entes entendam a criança e o
adolescente como prioridade absoluta. Para se ter uma ideia, a questão
orçamentária deveria ser: o Estado teria que verificar o que é necessário para
atender a infância e a juventude e o que sobrar, dividiria para o resto – disse
o magistrado.
Nesta
quarta-feira (11/03), a partir de 13h, vai ser debatida a Atenção à Primeira
Infância no Contexto de Privação de Liberdade. Já na sexta-feira (13/01), às
9h, o tema é a Atenção à Primeira Infância no Âmbito do Sistema de Justiça e
nas Políticas de Educação e Saúde. Os dois painéis acontecem no auditório
Desembargador Paulo Roberto Leite Ventura da EMERJ.
Também
participaram do evento a promotora Allyne Giannini, o defensor público Rodrigo
Azambuja, e representantes de órgãos públicos ligados à infância, das
secretarias de Estado de Saúde e de Educação, e da secretaria de Assistência
Social do Município do Rio.
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