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| © Philip FONG / AFP |
Poucas semanas
após minimizar a importância da epidemia de coronavírus, a Organização Mundial
da Saúde voltou atrás nesta terça-feira (11). Para o diretor-geral da
instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a propagação da doença
"representa uma ameaça muito grave para o mundo".
A declaração
foi feita na abertura de um seminário em Genebra, com a participação de mais de
400 pesquisadores e autoridades sanitárias de vários países. Ghebreyesus também
fez um apelo para que amostras do vírus sejam compartilhadas com o objetivo de
acelerar as pesquisas sobre tratamentos e vacinas.
Em meados de
janeiro, a OMS havia decidido não declarar urgência internacional sobre o
coronavírus. Apenas no final do último mês, quando a epidemia já havia deixado
170 mortos e infectado quase 8 mil pessoas na China e 98 pessoas em 18
países, a organização voltou atrás.
Mais de mil
mortos
Segundo o novo
balanço divulgado pelo governo chinês nesta terça-feira, o coronavírus já
deixou 1.016 mortos e contaminou mais de 42 mil pessoas. Nas últimas 24 horas,
foram 108 mortos, o maior número de vítimas fatais registrado em apenas um dia
desde o início da epidemia em dezembro.
Fora da China,
a pneumonia viral matou duas pessoas e 400 infecções foram confirmadas em cerca
de 30 países. O caso de um britânico que contraiu o vírus em Singapura e que em
seguida contaminou ao menos 11 pessoas em uma estação de esqui nos Alpes
Franceses fez a OMS temer o avanço mundial da doença. A organização também
pediu que os países adotem medidas urgentes de confinamento.
Volta ao
trabalho
Milhões de
pessoas retornaram ao trabalho na segunda-feira (10) na China, após as férias
prolongadas do Ano Novo Lunar para tentar impedir a propagação da doença. Pela
primeira vez o presidente chinês, Xi Jinping, apareceu em público com uma
máscara de proteção e teve a temperatura controlada, como acontece
diariamente com milhões de chineses.
Na província de
Hubei, epicentro das contaminações, dezenas de milhões de pessoas não
retornaram ao trabalho e o confinamento prossegue. As medidas sem precedentes
transformaram diversas áreas em cidades fantasmas.
Xangai sugeriu
reduzir as concentrações de pessoas nos escritórios, cortar os sistemas de ar
acondicionado, evitar as refeições em grupo e respeitar uma distância de pelo
menos um metro entre os colegas de trabalho. Uma pesquisa feita pela Câmara de
Comércio Americana na cidade mostrou que 60% das empresas planejam o trabalho
de casa. A plataforma de comunicação empresarial on-line DingTalk também
anunciou na semana passada que quase 200 milhões de pessoas estavam usando sua
ferramenta para o 'home office'.
A imprensa
estatal informou que o número de passageiros no metrô de Pequim nesta
segunda-feira era quase 50% inferior ao de um dia normal de trabalho. Vários
centros comerciais na capital estavam desertos, com lojas vazias ou fechadas.
Empresas como a
montadora Toyota adiaram o retorno ao trabalho por mais uma semana. Já escolas
e universidades de todo o país permanecem fechadas.
RFI

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