
Índice
Firjan de Gestão Fiscal revela que Niterói e Maricá ocupam o 1º e 2º lugares
entre as 79 cidades do RJ avaliadas. No Leste Fluminense, 70% das prefeituras
estão em situação difícil ou crítica.
Niterói, no
Leste Fluminense, é a cidade com melhor índice de gestão fiscal de recursos do
Rio e a única do estado a atingir nível de excelência. É o que aponta o Índice
Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), divulgado pela Firjan (Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro) com base em dados oficiais declarados pelas
próprias prefeituras ao governo federal em 2018. Maricá se destaca por ser a
que destinou maior percentual de suas receitas em investimentos em todo o
estado. No ranking das capitais brasileiras, o Rio de Janeiro ficou em
penúltimo lugar.
O IFGF é um
estudo nacional e avaliou as contas de 5.337 municípios, que declararam as
contas até a data limite prevista em lei e estavam com os dados consistentes.
No estado do Rio de Janeiro, das 92 cidades foram analisadas 79, onde vivem
15,7 milhões de pessoas. O índice varia de 0 a 1 ponto, sendo que quanto mais
próximo de 1 melhor a situação fiscal do município.
Com o objetivo
de apresentar os principais desafios para a gestão municipal, são abordados os
indicadores de Autonomia, Gastos com Pessoal, Liquidez e Investimentos. O novo
indicador de Autonomia verifica a relação entre as receitas oriundas da
atividade econômica do município e os custos para manutenção da estrutura
administrativa.
Maricá:
única excelente no IFGF Investimentos no RJ
Dos 13
municípios do Leste Fluminense analisados pela pesquisa, 70% estão em situação
difícil ou crítica. Maricá também se sobressaiu pela boa situação fiscal, mesmo
assim, não conseguiu gerar receitas ligadas à atividade econômica local para
cobrir despesas com estrutura administrativa, por isso obteve nova zero no IFGF
Autonomia, o que reflete sua enorme dependência dos royalties do petróleo. A
cidade, porém, foi a única em todo o estado a conseguir a atingir o nível de
excelência no indicador IFGF Investimentos.
Já São Gonçalo,
o mais populoso da região, teve dificuldade na gestão dos recursos por conta de
investimentos muito baixos e do percentual de despesas com pessoal próximo ao
limite determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Os piores
resultados regionais foram: Tanguá (72º), que ficou entre os 10 com notas mais
baixas em todo o estado, Iguaba Grande (66º) e Itaboraí (65º). As três cidades
têm quadro crítico de gestão fiscal, associando nível muito baixo de
investimentos, alto comprometimento do orçamento com despesas de pessoal e
baixa capacidade de gerar receitas localmente para bancar a máquina pública.
Araruama e
Arraial do Cabo ficaram fora da análise devido à indisponibilidade de dados
para consulta dentro do prazo legal. Já Cabo Frio não entrou no estudo por
apresentar inconsistências em seus dados oficiais.
De acordo com a
análise, na comparação com 2013, início da série histórica do índice, houve uma
piora na gestão fiscal do município do Rio de Janeiro. Há cinco anos, a cidade
ocupava a primeira posição no ranking estadual e o segundo lugar entre as
capitais. Os dados mostram que a rigidez orçamentária por conta dos gastos com
pessoal aumentou, o planejamento orçamentário que resultou em falta de liquidez
para arcar com obrigações financeiras piorou e houve deterioração dos
investimentos públicos. Com isso, apesar do elevado nível de autonomia, o IFGF
da capital do estado fechou 2018 com 0,4227, nível inferior à média do estado (0,4969).
Além de Niterói
(0,8066) e Maricá (0,7184), estão nas melhores posições do ranking fluminense
Rio das Ostras (0,7180), Paraty (0,7169) e Conceição de Macabu (0,7135). Esses
municípios se destacaram pelo baixo comprometimento do orçamento com despesas
obrigatórias e pela boa capacidade de planejamento financeiro, o que
proporcionou boa liquidez. Apesar dessa pontuação por conta da maioria dos
indicadores, o estudo aponta que houve baixo percentual de investimentos nas
cidades de Niterói, Paraty, Rio das Ostras e Conceição de Macabu e que o
município de Maricá ficou com nota zero no indicador de Autonomia.
Nas piores
posições, com nível crítico de gestão fiscal, estão Engenheiro Paulo de Frontin
(0,1917), Mangaratiba (0,1681), Cachoeiras de Macacu (0,1654), São Francisco de
Itabapoana (0,0726) e Guapimirim (0,0352), a última colocada. A maioria das
cidades do estado (73,4%) apresentou situação fiscal difícil ou crítica,
principalmente devido ao indicador de Investimentos.
“Mesmo com os
melhores resultados em âmbito estadual, as administrações municipais da região
ainda precisam avançar na gestão fiscal. Um dos desafios, por exemplo, é a
atração de novos investimentos e a consolidação dos já anunciados, além de uma
gestão pública eficiente”, analisou Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan
Leste Fluminense.
De acordo com o
gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Jonathas Goulart, o cenário nacional é
de crise fiscal municipal, potencializada e incentivada por questões
estruturais. “Temos hoje uma baixa capacidade de geração de receitas para o
financiamento da estrutura administrativa, além de alta rigidez do orçamento
por conta dos gastos com pessoal. Com isso, há dificuldade para um planejamento
eficiente e os investimentos são penalizados”.
A Firjan
destaca a necessidade de reformas em três frentes para a retomada do
crescimento sustentável: distribuição de recursos, obrigações orçamentárias e
organização administrativa. Sobre a distribuição de receitas, a Federação das
Indústrias do Rio ressalta a importância da reforma tributária, incluindo o
Imposto sobre Serviços (ISS), e a revisão das regras de distribuição do Fundo
de Participação dos Municípios (FPM).
Em relação às
obrigações orçamentárias, estão incluídas as reformas administrativa e
previdenciária. Já a frente relacionada à organização administrativa trata da
revisão das regras de criação e fusão de municípios e de competências
municipais.
O IFGF, com
dados específicos de cada município analisado, análises e propostas, pode ser
consultado através deste link: www.firjan.com.br/ifgf.
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